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Sobre a gratidão

Hoje quero falar sobre a minha gratidão. Uma gratidão bem pé no chão. Sou grata à minha família. Minhas 3 filhas e meu marido. Só eles ficaram ao meu lado o tempo todo. Cada filha me acompanhou em um momento diferente. Minha filha mais velha, quando eu ia nas consultas da diálise, sempre esteve ali comigo. Minha filha do meio ia também, revezava com a irmã. E agora no pós-transplante, é minha caçula que vai comigo. Fica atenta aos alarmes, confere a glicemia, anota tudo. Sem esquecer do meu marido, que também já me acompanhou em várias consultas e internações. Sou grata à equipe que foi maravilhosa comigo no transplante, durante a internação. Sou grata às enfermeiras e às técnicas de enfermagem. Elas não podem ser esquecidas! São elas que estão ali o tempo todo, dia e noite, atentas a tudo, com carinho e cuidado. Sou grata também aos vários médicos da cirurgia, aos nefrologistas, à nutri, à farmacêutica, às tias da limpeza, às tias da comida, às tias da roupa de cama, a algumas profiss...

O que fazer quando a bomba de insulina fica sem insumo e a justiça demora?

Quando a bomba de insulina fica sem insumo: o que fazer quando a justiça demora e o corpo não espera Oi, gente. Hoje vim falar de um assunto que quem tem diabetes tipo 1 e usa bomba de insulina conhece bem: a angústia de ter a decisão na mão, mas ficar sem o insumo em casa. Eu consegui na justiça o direito de receber minha bomba e meus insumos. Só que faz meses que não recebo. E nessa fase pós-transplante renal, eu não posso nem ir até a cidade vizinha resolver. Não posso pegar ônibus lotado, não posso me expor. Minha imunidade está baixa e cada saída é um risco. Sei que não sou só eu. Por isso resolvi escrever aqui, do jeito que faço no ateliê: com calma, ponto a ponto, para ajudar quem também está esperando. ⚠️ Aviso importante: esse texto é informativo, baseado na minha experiência e em fontes oficiais. Não é orientação jurídica nem médica. Converse sempre com sua defensora e sua equipe médica. Por que a bomba ainda precisa de processo? A bomba de insulina (sistema de infusão contín...

O perrengue do pós-transplante: quando o intestino resolve pregar peças

  Quem olha de fora — ou vê a gente celebrando as pequenas vitórias e as comemorações da vida — às vezes esquece que o pós-transplante renal e a convivência com uma doença crônica também têm seus momentos de perrengue pesado. E está tudo bem falar sobre isso, porque a vida real não tem filtro. Há poucos dias, passei por um daqueles episódios que testam a nossa paciência e o nosso limite. Quem teve a paratireoide retirada (como eu) sabe que a reposição de cálcio com o carbonato de cálcio é necessária, mas ela vem com um efeito colateral clássico e impiedoso: o intestino preso. Junta isso aos imunossupressores que deixam o trânsito intestinal mais lento, e temos a receita perfeita para o desastre. O alerta vermelho: quando o problema fica sério Começou de manhã com um incômodo, aquela vontade forte de evacuar e nada de sair. A barriga foi estufando, a cólica apertou, o enjoo deu as caras e, para piorar, comecei a ter dificuldade para fazer xixi. Para quem tem um rim novo, qualquer al...

5 meses de transplante de rim: o prazer de fazer xixi e beber água a vontade

Hoje faz 5 meses que ganhei meu rim novo. 16 de maio de 2026, dia do meu renascimento. Nesses 5 meses, vivi de tudo um pouco. Teve dias em que me senti mais cansada e prostrada, normal do pós-transplante. Teve a correria da casa, que não para: alimentação para organizar, preocupação de mãe que não acaba nunca. Minhas filhas são meu mundo. Duas na faculdade, cada uma com seus desafios. Minha filha diabética, que exige atenção diária. Minha filha mais velha, com suspeita de endometriose, em investigação, me preocupo com as dores dela. E tem a minha caçula. É ela que sempre me acompanha nas consultas em BH. Pega estrada comigo, fica horas esperando. Ela fica atenta aos alarmes do meu celular para eu tomar os imunossupressores na hora certa, confere comigo os valores da glicemia. Sem ela, eu me perderia. Ela é meus olhos e minha memória nas consultas. Meu marido também passou por um susto nesse último mês, com dor de barriga e diarreia por causa da água contaminada do trabalho. Corri com e...

​Relato da minha filha diabética: memórias de infância até os dias de hoje

Oi, meu nome é Ana Luiza e sou filha da Cristiane.  Fui diagnosticada com diabetes em 17 de março de 2018, com apenas 11 anos. Mamãe falou na época que era pouco mais nova do que eu quando descobriu a dela em 1991 - aos 10 anos.  Desde pequena, lembro dela tomando insulina e medindo glicose. Quando ela passou a usar a bomba de insulina em 2015, foi só alegria. Ela parou de ter hipoglicemias severas. Lembro no dia de ela ficar toda feliz quando a bomba chegou e eu pequena, 8 anos, falei brincando que o que tinha chegado pelo correio era uma bomba de verdade. (Risos).  Eu tinha muito medo quando ela dava hipo. Porque ela desmaiava e eu e minhas irmãs éramos pequenas. Lembro de uma dessas ocasiões, em que nós três estávamos brincando quando a encontramos desmaiada no sofá. Pegamos o celular dela, um rosa que abria, para ligar para meu pai, mas não sabíamos o número. Uma memória que me ficou marcada foi olhar para a foto de meu pai no telefone e chorar desejando que ele chega...

De volta para o futuro: a comunidade do diabetes e meu retorno ao blog

Memórias de blogueira: a era de ouro dos blogs, a comunidade do diabetes e por que eu decidi voltar Olá, meu povo querido! Puxa a cadeira, pega um café que hoje o papo é nostálgico e bate forte no coração de quem acompanha a internet há um tempão: a saudade dos blogs e a nossa jornada na comunidade do diabetes. Quem me acompanha há mais tempo talvez lembre do começo de tudo. Por volta de 2011 ou 2012, confesso que a data exata já se perde na memória, eu comecei a escrever num site chamado Banco de Saúde. Quem é das antigas vai lembrar! Era uma rede social só de saúde, tipo um Orkut da saúde, pioneiro demais. A gente criava um perfil, colocava nosso tipo de diabetes, os remédios que tomava e escrevia um diário. Era cru, era real, era nosso. Só que, em um belo dia, veio o aviso: o site ia começar a cobrar assinatura. E a gente, que já gasta tanto com insulina, fita, glicosímetro... não tinha como ficar arcando com isso. Foi aí que a mágica aconteceu: em massa, muitos blogueiros da área d...

Diário do recomeço: como voltei para o ateliê depois do transplante?

Logo mais estarei completando 5 meses de transplante. O dia 16 de maio de 2026 foi, sem dúvida, o dia do meu renascimento. Mas hoje quero contar para vocês como foi quando dei o passo de voltar para o meu cantinho mais amado: o ateliê. Isso aconteceu quando completei 3 meses de transplante. Eu estava morrendo de saudade da máquina de costura, com mil ideias fervilhando na cabeça e uma vontade louca de fazer tudo ao mesmo tempo. Minha equipe em Belo Horizonte foi muito clara: "Cris, você pode voltar, mas sem forçar. No máximo 2 horas por dia na máquina. E tem que ir levantando e caminhando no meio, a cada 30 minutos."  O cuidado com a cicatriz e o risco de hérnia Meu maior medo era o desenvolvimento de uma hérnia incisional — que é quando a parede abdominal, ainda em processo de cicatrização, enfraquece e cede por dentro. Minha médica me explicou que, no meu caso, o risco é um pouco maior porque os medicamentos imunossupressores (que tomo para evitar a rejeição do rim) deixam ...

Uremia, encefalopatia e transplante de rim: meu relato real na diálise peritoneal e o diagnóstico da cardiopatia hipertrófica obstrutiva

Relato real de uma paciente renal crônica que passou por falha na diálise peritoneal, uremia severa, encefalopatia urêmica, UTI com delirium e descobriu uma cardiopatia hipertrófica obstrutiva até chegar ao transplante de rim. Viver com insuficiência renal crônica exige uma resiliência que poucas pessoas conseguem imaginar. Não é apenas seguir uma rotina de tratamentos; é conviver diariamente com a fragilidade do próprio corpo. Olhando para trás, percebo o quanto o meu organismo tentou me avisar muito antes de eu realmente cair. E a minha história com a diálise peritoneal, com a uremia e, finalmente, com o transplante, é uma prova de que a nossa força é testada até o limite. O peso silencioso da uremia e as falhas no caminho Houve uma época em que o cansaço virou meu segundo nome. Mesmo com exames laboratoriais que pareciam "dentro da normalidade" e tomando alfaepoetina, a fraqueza era tanta que eu simplesmente não conseguia tomar banho. Meu apetite sumiu por completo. O que ...

Ela adoeceu e ele foi embora: a estatística do abandono que ninguém te conta

Quando a vida pede cuidado: o peso da doença nos relacionamentos e a força de ser acolhida Falar sobre o casamento e o amor em meio a uma doença crônica ou grave exige coragem. Quando a gente assume compromissos, a promessa clássica é "na alegria e na tristeza, na saúde e na doença". Mas a realidade nua e crua dos hospitais às vezes revela um cenário doloroso: estatísticas científicas mostram que mulheres adoecidas enfrentam índices alarmantes de abandono conjugal.  O que diz a ciência e os dados médicos? Pesquisas na área de sociologia da saúde e oncologia revelam estatísticas que chocam, mas que precisam ser ditas para que possamos apoiar umas às outras: ● Doenças graves em geral: um estudo publicado no Journal of Health and Social Behavior apontou que casais em que a mulher é diagnosticada com uma doença grave apresentam um risco significativamente maior de separação em comparação aos casais em que o homem adoece. ● O Impacto no câncer: dados divulgados pela Sociedade Bras...

Exercícios no pós-transplante: como o movimento protege o novo rim

Com 4 meses e meio de transplante renal, compartilho como a caminhada leve, proteção solar e hidratação ajudam a proteger o novo rim, controlar o diabetes,o peso e fortalece os ossos. Quando completamos os primeiros meses de transplante, eu estou com 4 meses e meio, a sensação de liberdade é indescritível. O corpo vai recuperando as forças e surge aquela vontade de se movimentar mais. Mas fica a dúvida: por que a atividade física é tão fundamental depois de um transplante renal e o que podemos ou não fazer nessa fase? Por que se movimentar faz toda a diferença para o rim transplantado? 1. Proteção e longevidade do enxerto:o exercício físico moderado melhora a circulação, ajuda a controlar a pressão arterial e reduz o estresse oxidativo. Pressão sob controle significa menos sobrecarga e mais durabilidade para o nosso novo rim. 2. Controle do diabetes e da glicemia: para quem tem diabetes, os músculos em movimento funcionam como "esponjas" que absorvem a glicose do sangue, aume...

O que aprendi na diálise: ouvir o corpo e buscar informação

Quando enfrentamos uma doença crônica como a insuficiência renal, é natural entregarmos nossa confiança aos profissionais que cuidam de nós. Precisamos desse suporte para seguir em frente. No entanto, ao longo do período em que fiz diálise peritoneal, passei por um ciclo de intenso sofrimento que me ensinou uma lição preciosa: nós também precisamos ser participantes ativos do nosso tratamento. Por um longo período, passei a enfrentar sintomas diários e extremamente severos. Minha pressão arterial despencava a níveis alarmantes, cheguei a um estado grave de desnutrição e convivia com um zumbido constante nos ouvidos. Chegava em casa apática, fraca e com episódios frequentes de desmaio. A situação se agravou a ponto de eu ter sido internada na UTI por três ocasiões, sem que houvesse melhora ou identificação da causa daquele agravamento naquele acompanhamento. A pouca urina que eu ainda conseguia produzir desapareceu completamente. Na terceira internação, foi identificada cardiopatia hipe...

Caneta emagrecedora e ganho de peso no pós-transplante: minha história

Da criança fofinha ao pós-transplante: a luta com o peso, gastroparesia e a verdade sobre a caneta emagrecedora. Se tem um assunto que mexe com a nossa autoestima e com a nossa saúde, é a balança. Na infância, eu era aquela criança "fofinha", não era gorda, era fofinha, sabe? Aos 10 anos de idade, quando veio o diagnóstico do diabetes tipo 1, perdi muito peso de uma vez e fiquei magrinha por anos. As coisas começaram a mudar depois da minha última gestação, em 2007. Vieram as injeções anticoncepcionais, o diagnóstico de hipotireoidismo e, em 2021, a entrada na diálise peritoneal. Para quem não sabe, a solução utilizada na diálise peritoneal contém glicose, o que gera um aporte diário de calorias absorvidas pelo organismo, favorecendo o ganho de peso e a retenção de líquidos. Com o transplante, no início perdi peso. Mas bastou passar o terceiro mês para recuperar tudo o que tinha perdido. O retorno do apetite, somado ao uso de corticoides e imunossupressores, torna o ganho de ...

Esqueci de tomar o remédio: o que fazer, o que evitar e como não passar sufoco!

Quem toma vários remédios todos os dias sabe o desafio que é manter tudo em dia. Entre imunossupressores, protetor gástrico, vitaminas e anti-hipertensivos, basta um dia mais corrido para a gente olhar para a cartela e perceber o susto: a caixa acabou e a dose da noite ficou para trás. Foi exatamente o que aconteceu comigo recentemente com o metoprolol (remédio que uso para controlar o ritmo do meu coração). Por ser um medicamento de ação prolongada, mantive a calma, providenciei a caixa nova logo de manhã bem cedinho e tomei a dose do dia normalmente. Mas esse pequeno susto me fez pensar: você sabe o que deve (e o que NUNCA deve) fazer quando esquece ou fica sem uma dose do seu remédio?  O que fazer (e o que jamais fazer) ao pular uma dose Quando lidamos com remédios contínuos, seja para pressão, coração, diabetes ou pós-transplante, a regra de ouro é a prudência. ❌ O que NUNCA fazer:  ● NUNCA dobre a dose: Se você esqueceu a dose da noite, jamais tome dois comprimidos juntos...