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5 meses de transplante de rim: o prazer de fazer xixi e beber água a vontade

Hoje faz 5 meses que ganhei meu rim novo. 16 de maio de 2026, dia do meu renascimento. Nesses 5 meses, vivi de tudo um pouco. Teve dias em que me senti mais cansada e prostrada, normal do pós-transplante. Teve a correria da casa, que não para: alimentação para organizar, preocupação de mãe que não acaba nunca. Minhas filhas são meu mundo. Duas na faculdade, cada uma com seus desafios. Minha filha diabética, que exige atenção diária. Minha filha mais velha, com suspeita de endometriose, em investigação, me preocupo com as dores dela. E tem a minha caçula. É ela que sempre me acompanha nas consultas em BH. Pega estrada comigo, fica horas esperando. Ela fica atenta aos alarmes do meu celular para eu tomar os imunossupressores na hora certa, confere comigo os valores da glicemia. Sem ela, eu me perderia. Ela é meus olhos e minha memória nas consultas. Meu marido também passou por um susto nesse último mês, com dor de barriga e diarreia por causa da água contaminada do trabalho. Corri com e...

​Relato da minha filha diabética: memórias de infância até os dias de hoje

Oi, meu nome é Ana Luiza e sou filha da Cristiane.  Fui diagnosticada com diabetes em 17 de março de 2018, com apenas 11 anos. Mamãe falou na época que era pouco mais nova do que eu quando descobriu a dela em 1991 - aos 10 anos.  Desde pequena, lembro dela tomando insulina e medindo glicose. Quando ela passou a usar a bomba de insulina em 2015, foi só alegria. Ela parou de ter hipoglicemias severas. Lembro no dia de ela ficar toda feliz quando a bomba chegou e eu pequena, 8 anos, falei brincando que o que tinha chegado pelo correio era uma bomba de verdade. (Risos).  Eu tinha muito medo quando ela dava hipo. Porque ela desmaiava e eu e minhas irmãs éramos pequenas. Lembro de uma dessas ocasiões, em que nós três estávamos brincando quando a encontramos desmaiada no sofá. Pegamos o celular dela, um rosa que abria, para ligar para meu pai, mas não sabíamos o número. Uma memória que me ficou marcada foi olhar para a foto de meu pai no telefone e chorar desejando que ele chega...

De volta para o futuro: a comunidade do diabetes e meu retorno ao blog

Memórias de blogueira: a era de ouro dos blogs, a comunidade do diabetes e por que eu decidi voltar Olá, meu povo querido! Puxa a cadeira, pega um café que hoje o papo é nostálgico e bate forte no coração de quem acompanha a internet há um tempão: a saudade dos blogs e a nossa jornada na comunidade do diabetes. Quem me acompanha há mais tempo talvez lembre do começo de tudo. Por volta de 2011 ou 2012, confesso que a data exata já se perde na memória, eu comecei a escrever num site chamado Banco de Saúde. Quem é das antigas vai lembrar! Era uma rede social só de saúde, tipo um Orkut da saúde, pioneiro demais. A gente criava um perfil, colocava nosso tipo de diabetes, os remédios que tomava e escrevia um diário. Era cru, era real, era nosso. Só que, em um belo dia, veio o aviso: o site ia começar a cobrar assinatura. E a gente, que já gasta tanto com insulina, fita, glicosímetro... não tinha como ficar arcando com isso. Foi aí que a mágica aconteceu: em massa, muitos blogueiros da área d...

Diário do recomeço: como voltei para o ateliê depois do transplante?

Como voltei para o ateliê com 3 meses de transplante Logo mais estarei completando 5 meses de transplante. O dia 16 de maio de 2026 foi, sem dúvida, o dia do meu renascimento. Mas hoje quero contar para vocês como foi quando dei o passo de voltar para o meu cantinho mais amado: o ateliê. Isso aconteceu quando completei 3 meses de transplante. Eu estava morrendo de saudade da máquina de costura, com mil ideias fervilhando na cabeça e uma vontade louca de fazer tudo ao mesmo tempo. Minha equipe em Belo Horizonte foi muito clara: "Cris, você pode voltar, mas sem forçar. No máximo 2 horas por dia na máquina. E tem que ir levantando e caminhando no meio, a cada 30 minutos."  O cuidado com a cicatriz e o risco de hérnia Meu maior medo era o desenvolvimento de uma hérnia incisional — que é quando a parede abdominal, ainda em processo de cicatrização, enfraquece e cede por dentro. Minha médica me explicou que, no meu caso, o risco é um pouco maior porque os medicamentos imunossupress...

Uremia, encefalopatia e transplante de rim: meu relato real na diálise peritoneal e o diagnóstico da cardiopatia hipertrófica obstrutiva

Relato real de uma paciente renal crônica que passou por falha na diálise peritoneal, uremia severa, encefalopatia urêmica, UTI com delirium e descobriu uma cardiopatia hipertrófica obstrutiva até chegar ao transplante de rim. Viver com insuficiência renal crônica exige uma resiliência que poucas pessoas conseguem imaginar. Não é apenas seguir uma rotina de tratamentos; é conviver diariamente com a fragilidade do próprio corpo. Olhando para trás, percebo o quanto o meu organismo tentou me avisar muito antes de eu realmente cair. E a minha história com a diálise peritoneal, com a uremia e, finalmente, com o transplante, é uma prova de que a nossa força é testada até o limite. O peso silencioso da uremia e as falhas no caminho Houve uma época em que o cansaço virou meu segundo nome. Mesmo com exames laboratoriais que pareciam "dentro da normalidade" e tomando alfaepoetina, a fraqueza era tanta que eu simplesmente não conseguia tomar banho. Meu apetite sumiu por completo. O que ...

Ela adoeceu e ele foi embora: a estatística do abandono que ninguém te conta

Quando a vida pede cuidado: o peso da doença nos relacionamentos e a força de ser acolhida Falar sobre o casamento e o amor em meio a uma doença crônica ou grave exige coragem. Quando a gente assume compromissos, a promessa clássica é "na alegria e na tristeza, na saúde e na doença". Mas a realidade nua e crua dos hospitais às vezes revela um cenário doloroso: estatísticas científicas mostram que mulheres adoecidas enfrentam índices alarmantes de abandono conjugal.  O que diz a ciência e os dados médicos? Pesquisas na área de sociologia da saúde e oncologia revelam estatísticas que chocam, mas que precisam ser ditas para que possamos apoiar umas às outras: ● Doenças graves em geral: um estudo publicado no Journal of Health and Social Behavior apontou que casais em que a mulher é diagnosticada com uma doença grave apresentam um risco significativamente maior de separação em comparação aos casais em que o homem adoece. ● O Impacto no câncer: dados divulgados pela Sociedade Bras...

Exercícios no pós-transplante: como o movimento protege o novo rim

Com 4 meses e meio de transplante renal, compartilho como a caminhada leve, proteção solar e hidratação ajudam a proteger o novo rim, controlar o diabetes,o peso e fortalece os ossos. Quando completamos os primeiros meses de transplante, eu estou com 4 meses e meio, a sensação de liberdade é indescritível. O corpo vai recuperando as forças e surge aquela vontade de se movimentar mais. Mas fica a dúvida: por que a atividade física é tão fundamental depois de um transplante renal e o que podemos ou não fazer nessa fase? Por que se movimentar faz toda a diferença para o rim transplantado? 1. Proteção e longevidade do enxerto:o exercício físico moderado melhora a circulação, ajuda a controlar a pressão arterial e reduz o estresse oxidativo. Pressão sob controle significa menos sobrecarga e mais durabilidade para o nosso novo rim. 2. Controle do diabetes e da glicemia: para quem tem diabetes, os músculos em movimento funcionam como "esponjas" que absorvem a glicose do sangue, aume...

O que aprendi na diálise: ouvir o corpo e buscar informação

Quando enfrentamos uma doença crônica como a insuficiência renal, é natural entregarmos nossa confiança aos profissionais que cuidam de nós. Precisamos desse suporte para seguir em frente. No entanto, ao longo do período em que fiz diálise peritoneal, passei por um ciclo de intenso sofrimento que me ensinou uma lição preciosa: nós também precisamos ser participantes ativos do nosso tratamento. Por um longo período, passei a enfrentar sintomas diários e extremamente severos. Minha pressão arterial despencava a níveis alarmantes, cheguei a um estado grave de desnutrição e convivia com um zumbido constante nos ouvidos. Chegava em casa apática, fraca e com episódios frequentes de desmaio. A situação se agravou a ponto de eu ter sido internada na UTI por três ocasiões, sem que houvesse melhora ou identificação da causa daquele agravamento naquele acompanhamento. A pouca urina que eu ainda conseguia produzir desapareceu completamente. Na terceira internação, foi identificada cardiopatia hipe...

Caneta emagrecedora e ganho de peso no pós-transplante: minha história

Da criança fofinha ao pós-transplante: a luta com o peso, gastroparesia e a verdade sobre a caneta emagrecedora. Se tem um assunto que mexe com a nossa autoestima e com a nossa saúde, é a balança. Na infância, eu era aquela criança "fofinha", não era gorda, era fofinha, sabe? Aos 10 anos de idade, quando veio o diagnóstico do diabetes tipo 1, perdi muito peso de uma vez e fiquei magrinha por anos. As coisas começaram a mudar depois da minha última gestação, em 2007. Vieram as injeções anticoncepcionais, o diagnóstico de hipotireoidismo e, em 2021, a entrada na diálise peritoneal. Para quem não sabe, a solução utilizada na diálise peritoneal contém glicose, o que gera um aporte diário de calorias absorvidas pelo organismo, favorecendo o ganho de peso e a retenção de líquidos. Com o transplante, no início perdi peso. Mas bastou passar o terceiro mês para recuperar tudo o que tinha perdido. O retorno do apetite, somado ao uso de corticoides e imunossupressores, torna o ganho de ...

Esqueci de tomar o remédio: o que fazer, o que evitar e como não passar sufoco!

Quem toma vários remédios todos os dias sabe o desafio que é manter tudo em dia. Entre imunossupressores, protetor gástrico, vitaminas e anti-hipertensivos, basta um dia mais corrido para a gente olhar para a cartela e perceber o susto: a caixa acabou e a dose da noite ficou para trás. Foi exatamente o que aconteceu comigo recentemente com o metoprolol (remédio que uso para controlar o ritmo do meu coração). Por ser um medicamento de ação prolongada, mantive a calma, providenciei a caixa nova logo de manhã bem cedinho e tomei a dose do dia normalmente. Mas esse pequeno susto me fez pensar: você sabe o que deve (e o que NUNCA deve) fazer quando esquece ou fica sem uma dose do seu remédio?  O que fazer (e o que jamais fazer) ao pular uma dose Quando lidamos com remédios contínuos, seja para pressão, coração, diabetes ou pós-transplante, a regra de ouro é a prudência. ❌ O que NUNCA fazer:  ● NUNCA dobre a dose: Se você esqueceu a dose da noite, jamais tome dois comprimidos juntos...

Consulta diretamente da Itália, elogios, presente e aprendizados com a bomba de insulina 780G!

Hoje vim compartilhar com vocês como foi a nossa consulta online com o endócrino. O médico estava nada menos que na Itália! É impressionante como a tecnologia aproxima quem cuida da gente, né? Foi uma consulta muito positiva para mim e para a minha filha, cheia de elogios, mas também com puxões de orelha carinhosos e aprendizados importantes que quero guardar e compartilhar aqui com vocês. A consulta da minha filha: parabéns, presente e um desafio! O médico deu os parabéns à minha filha pelo excelente controle da glicemia! Fiquei com o coração cheio de orgulho. O presente: Ele reforçou a importância do sensor de glicose e, com muita generosidade, disse que vai dar um sensor de presente para ela! A resistência com a contagem: Ele voltou a alertar sobre a importância de aprender a contagem de carboidratos. Ela é tão inteligente, mas ainda tem muita resistência para aprender essa parte! O futuro com a bomba 780G: O médico explicou que o plano futuro para ela é dar entrada no processo para...

27 de setembro- Dia nacional da doação de órgãos: um sim que salva outra vida

Dia 27 de setembro não é apenas uma data no calendário. Para mim, para a minha família e para milhares de pessoas espalhadas por todo o país, este dia representa o marco mais profundo do amor ao próximo: o Dia Nacional da Doação de Órgãos. Se hoje estou aqui, escrevendo com o coração cheio de paz, planejando o futuro e vivendo os milagres simples do dia a dia no meu ateliê com meu marido e minhas três meninas, é porque, no momento mais difícil, uma família cheia de generosidade disse "SIM". Essa família maravilhosa me deu meu rim, me deu mais vida no meu lar. E eu vou ser grata para sempre. Quando uma vida se despede, a dor de quem fica é imensa. Mas é justamente nesse gesto de amor infinito que a esperança desabrocha para outra pessoa. Um único "sim" tem o poder de transformar o luto em recomeço, de devolver o riso a uma casa, de permitir que um pai veja o filho crescer, que uma mãe abrace a sua família novamente e que sonhos interrompidos voltem a ganhar vida. Com...

​Como meu marido salvou minha máquina de costura e minhas filhas inspiram meus kits novos!

Há dias em que paramos para olhar à nossa volta e o coração transborda de gratidão. Hoje quero compartilhar com vocês um pouco do que acontece por trás das câmeras no meu ateliê — e, acima de tudo, no meu coração. Muitas vezes vocês veem as peças prontas, os detalhes acabados e as encomendas saírem cheias de carinho, mas por trás de cada peça existe uma rede de apoio maravilhosa. O meu marido tem sido um pilar fundamental em cada etapa. Ele me incentiva e me apoia em cada encomenda que sai daqui. Outro dia, a minha máquina de costura simplesmente travou no meio do trabalho! Fiquei  preocupada, mas ele não hesitou: pesquisou na internet, abriu a máquina com todo o cuidado e resolveu o problema. O seu carinho e a sua atenção nos momentos em que mais preciso fazem toda a diferença. Minhas filhas, minhas melhores amigas! Se há alegria maior na vida, é ver a família unida. As minhas filhas são companheiras, protetoras e verdadeiras amigas. Não me deixam fazer nada que possa prejudicar a...