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Voltei!E trouxe linha agulha e muita história

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O dia que a vida recomeçou e os desafios para chegar até aqui

Um sentimento que tem me acompanhado muito neste pós-transplante é o do merecimento. Às vezes, me pego perguntando se realmente mereço a chance de viver de novo. A diálise peritoneal foi o que me manteve viva, e sou imensamente grata por isso. Mas, no ano passado, passei por algumas intercorrências sérias e precisei ser internada três vezes. Na minha cidade, a primeira internação foi assustadora. A equipe do hospital, em um primeiro momento, não soube como agir. Por não saberem como me conectar à máquina de diálise peritoneal, acabaram me colocando na UTI e iniciando uma hemodiálise de emergência. Meus exames só pioravam, e a melhora só veio quando voltei a fazer a diálise peritoneal, ainda dentro da UTI. Lembro de tentar orientar as enfermeiras sobre o procedimento correto: como higienizar as bolsas e o cassete, a importância de usar máscara e de manter o ambiente isolado durante o processo. Mas parecia que eu falava outra língua. Pessoas entravam no quarto a todo momento, algumas pro...

Almoço seguro e saboroso: como preparar feijão e legumes sem medo

Muitas vezes, a restrição alimentar parece o fim do mundo para quem ama comer bem, especialmente para quem, como eu, está em processo de recuperação pós-transplante. Quando recebi a orientação de reduzir o potássio, a primeira coisa que pensei foi: "E agora, como vai ficar o meu feijão?" Mas, com calma e técnica, descobri que a gente não precisa abrir mão do sabor. A regra de ouro aqui é o cuidado no preparo . Meu "prato da segurança" de hoje: Feijão: Deixo de molho por pelo menos 12 horas (trocando a água). Depois, fervo, descarto a água e cozinho em água nova. Isso reduz muito o potássio!  Legumes: A técnica é a mesma: aferventar, descartar a água e finalizar o cozimento.  Tempero: Como não posso abusar de condimentos industrializados, uso temperos naturais (alho, cebola, ervas frescas). Fica uma delícia e o rim agradece! Diário da Recuperação Como me sinto hoje: Mais tranquila após ter entendido como preparar meus alimentos com segurança. O desafio da semana: Enc...

Um novo capítulo: minha vida pós-transplante, entre o cuidado e a gratidão

Hoje, o assunto não é sobre costura, nem sobre receitas (embora elas continuem sendo parte importante da minha rotina). Hoje, quero falar sobre a mudança mais significativa da minha vida: o meu transplante. Muitas pessoas me perguntam como estou me sentindo. E a resposta é uma mistura de sentimentos difícil de explicar: sinto uma gratidão imensa por ter ganhado essa nova chance, mas também uma necessidade de disciplina que eu nunca tive antes. Minha vida, que antes era focada em planos para o meu ateliê, agora se tornou uma agenda de cuidados. E, honestamente? Eu estou aprendendo a valorizar cada linha dessa agenda.  Cada remédio, cada consulta e cada ida à unidade de transplante  são pequenos passos para garantir que esse rim — que é o meu maior presente — esteja bem cuidado.  Aprender a usar a faixa cirúrgica para proteger meu corpo (e evitar a temida hérnia) e encontrar formas de me exercitar com caminhadas em locais planos é o meu "trabalho" atual. Não é fácil, ainda ...

Uma pausa no meu ateliê Cantinho da Mamãe e o sonho que espera por mim

Oi, gente! Para quem está chegando agora ou me acompanha de perto, sabe que o Cantinho da Mamãe começou como um pequeno sonho — costuras básicas, fraldinhas, pequenos consertos e todo aquele carinho que a gente coloca em cada pontinho de linha. Eu estava com tudo pronto para dar um passo importante: ia começar um curso de corte e costura justamente na semana em que recebi a ligação do transplante renal. A vida, com sua sabedoria única, me trouxe um presente maior e uma missão imediata: cuidar da minha saúde e do meu "novo companheiro". Por isso, o Cantinho da Mamãe fez uma pausa . Para quem está aprendendo como eu, cada etapa é um desafio. E, neste momento, o meu maior desafio é a recuperação pós-transplante. Minha rotina agora é de consultas, cuidados com a imunidade, muito repouso e adaptação. O curso de costura vai precisar esperar um pouquinho, mas o meu desejo de aprender segue aqui, guardadinho no coração. Acredito que, em cerca de 6 meses, com a liberação dos médicos, ...

Café da manhã com sabor de cuidado: minha receita favorita para começar o dia bem

Quem me acompanha sabe que, depois do transplante, o meu café da manhã deixou de ser apenas "a primeira refeição do dia" para se tornar um momento de cuidado estratégico. Com o rim novo trabalhando a todo vapor e a minha necessidade de controlar certas taxas, a minha cozinha virou um santuário de atenção. Mas, acreditem: é possível comer muito bem, de forma segura e com muito sabor, mesmo seguindo um protocolo rígido. Hoje, quero compartilhar com vocês o meu mingau de maçã e aveia . É o meu conforto diário: ele é suave para o meu estômago (o que ajuda muito na gastroparesia), tem baixo teor de potássio e as fibras da aveia são minhas grandes aliadas na busca pelo controle dos triglicerídeos. A receita: Mingau aconchegante de aveia e maçã Esta receita é simples, rápida e perfeita para esse clima mais frio que estamos enfrentando. Ingredientes:  ● 3 colheres de sopa de farelo de aveia (ajuda a controlar o colesterol/triglicerídeos).  ●150ml de água mineral ou leite de arroz . ...

Cozinhar é um ato de amor: minha receita segura para um pós-transplante com gastroparesia

Viver o pós-transplante sendo diabética tipo 1 e ainda lidando com uma gastroparesia exige que a cozinha se torne, literalmente, o meu laboratório de saúde. Não é fácil encontrar o equilíbrio entre "o que o rim precisa", "o que o açúcar permite" e "o que o estômago tolera", mas hoje quero dividir com vocês uma das minhas receitas favoritas. É um prato que me traz conforto, não sobrecarrega meu estômago e mantém minhas taxas glicêmicas sob controle.  A Receita: Sopa creme de abóbora com frango (Versão de fácil digestão)  Ingredientes:   ● 200g de abóbora (cozida e batida – ela tem baixo índice glicêmico).    ● 80g de peito de frango cozido e desfiado bem fininho (processado, se necessário).    ● 1 colher de chá de azeite de oliva extra virgem.    ● Temperos naturais: Cebola e alho bem refogados, um toque de açafrão (anti-inflamatório). Evite excesso de sal e temperos prontos.    ● Água mineral para dar a consistência de creme.  ...

A vida no "Novo Normal": entre despertadores, máscaras e um copo d'água com sabor de liberdade

Se alguém me dissesse há um tempo atrás que a felicidade teria cheiro de produtos de limpeza e som de despertador, eu provavelmente não entenderia. Mas a realidade do pós-transplante é exatamente essa: uma mistura curiosa de uma liberdade imensa com um cuidado minucioso, quase artesanal. Estou em casa, finalmente. E hoje quero contar para vocês como são os meus dias por aqui. Meu celular agora é o meu melhor amigo — e o meu maior "cobrador". Ele vive despertando. É o lembrete do remédio das 6h, 8h, 9h, das 13h, 15h,  os da noite... cada alarme é um compromisso inegociável com a vida que eu recebi. E, entre um despertador e outro, a rotina de quem cuida: minhas filhas e meu marido viraram verdadeiros guardiões. Eles preparam minhas refeições com um zelo, tudo seguindo o protocolo rigoroso de higienização. Ver o meu marido cozinhando de máscara, focado em cada detalhe para que tudo esteja perfeito e seguro para mim, é uma prova de amor que não cabe em legenda. Vocês não fazem i...