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Voltei!E trouxe linha agulha e muita história

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De volta para casa : o cheiro de limpeza, o abraço das minhas filhas e a minha nova rotina

Eu consegui. Escrevo este post não mais do leito do hospital, não mais ouvindo o bip dos monitores, mas sim  da minha própria cama, na minha casa . Eu recebi alta! Colocar os pés para fora daquele hospital e respirar o ar da rua sabendo que o meu transplante foi um sucesso é uma sensação que as palavras quase não dão conta de traduzir. É um misto de "venci a primeira batalha" com um respeito gigante pelo recomeço.  Se tem uma coisa que me emocionou profundamente antes mesmo de eu passar pela porta de casa, foi o amor das minhas filhas. Elas estavam em um estado de ansiedade que mal cabia nelas! Como o paciente transplantado precisa de um ambiente extremamente limpo e protegido por conta da imunidade baixa, elas não pensaram duas vezes: organizaram um verdadeiro mutirão da limpeza.  Lavaram, passaram, desinfetaram cada cantinho e deixaram a casa brilhando e cheirando a cuidado. Entrar em um ambiente preparado com tanto amor por elas me fez chorar. O transplante acontece no...

Do medo à liberdade: o dia em que me despedi do cateter da diálise

 Esse é um momento maravilhoso e cheio de alívio para registrar no blog! É a transição perfeita entre o "susto" do pós-operatório e a esperança real de voltar para casa. Escrevo este texto ainda do quarto do hospital, mas com um sorriso que mal cabe no meu rosto e uma sensação de leveza que eu não sentia há muito, muito tempo. Se no último post o cenário era de incertezas e dores do pós-operatório imediato, hoje o clima por aqui é de pura celebração. Os dias de internação continuam, mas a minha realidade mudou completamente. E eu precisava dividir essas vitórias com vocês. Uma das maiores ansiedades de quem faz um transplante renal é saber se o "novo morador" vai começar a trabalhar logo ou se vai demorar um pouquinho para acordar. Logo após a cirurgia, eu precisei passar por uma sessão de diálise.  Apenas uma. Foi o empurrãozinho que o meu novo rim precisava. Depois disso? Ele assumiu o comando de forma espetacular. Ver os exames de sangue melhorando dia após dia, ...

O renascimento no leito do hospital: Meu transplante renal chegou!

Se você me acompanha por aqui, sabe que a jornada da doença renal crônica é feita de altos e baixos, de dias de muita força e outros de puro cansaço. Mas hoje, escrevo este texto de um lugar diferente. Escrevo direto de uma cama de hospital, com o bip dos monitores ao fundo, alguns acessos nos braços e um coração que mal consegue processar o tamanho de tudo o que aconteceu nas últimas horas: eu fiz o meu transplante renal. Ainda estou internada, vivendo o turbilhão que são os primeiros dias do pós-operatório. E, justamente por estar aqui, com as emoções à flor da pele, senti a necessidade de registrar este momento. A gente passa meses, às vezes anos, esperando por uma ligação. Criamos cenários na mente, ensaiamos a reação, mas quando o telefone finalmente toca dizendo "tem um órgão para você", o chão parece sumir e reaparecer mais firme ao mesmo tempo. É um misto de medo do desconhecido com uma urgência absurda de viver. Chegar ao hospital, passar pela preparação e entrar na ...

Terminei de pedalar e agora? O que comer no pós treino com DM1

Oi, pessoal! No último post, contei para vocês sobre minha rotina de exercícios em casa e o desafio de ganhar as ruas. Mas uma dúvida que sempre aparece por aqui — e que eu mesma precisei estudar muito para entender — é: O que comer depois de se movimentar? Para nós, diabéticas, o pós-exercício é um momento de atenção. O corpo continua "trabalhando" e a sensibilidade à insulina aumenta, por isso a escolha do prato faz toda a diferença para evitar aquela hipoglicemia tardia ou um pico desnecessário.  O que eu priorizo no meu prato:  Proteína para recuperar:  Depois da bicicleta ou da caminhada, o músculo precisa de "tijolinhos" para se recuperar. Eu gosto muito de ovos mexidos, um pedaço de frango grelhado ou até um queijo branco. Carboidratos de absorção lenta: Nada de farinha branca! Eu opto por uma pequena porção de batata-doce ou uma fatia de pão integral de boa qualidade. Eles liberam energia aos poucos.  Fibras (minhas melhores amigas):  Uma saladinha ou se...

Diabetes e exercício: Quando o corpo precisa, mas o ânimo não vem

Oi pessoal! Vamos conversar sobre algo que todo médico fala, mas que na prática nem sempre é fácil: colocar o corpo em movimento. Quem me acompanha aqui no blog sabe que eu não escondo a realidade. Eu faço minha caminhada leve e pedalo na minha bicicleta aqui no conforto de casa. São momentos que me ajudam muito no controle da glicemia, mas eu preciso ser sincera com vocês... Eu tenho o sonho de tirar a bicicleta da sala e ganhar as ruas. Sinto falta do vento no rosto e de ver o mundo, mas, por algum motivo, me falta aquela coragem e o ânimo para sair. Às vezes é o medo de uma hipoglicemia no caminho, outras vezes é só aquela vontade de ficar no meu cantinho. Vocês também sentem esse "bloqueio" de vez em quando? Além de tomar coragem para a rua, eu sei que preciso encarar a musculação. Para nós, que vivemos com o diabetes, fortalecer os músculos é como criar uma "reserva" que ajuda a queimar a glicose com mais eficiência. É saúde pura, mas confesso que o começo pare...

Memórias de 1991: Quando ser criança exigia coragem

Hoje parei para lembrar de quando tudo começou. Eu tinha só 10 anos e o mundo parecia ter ficado de cabeça para baixo com o diagnóstico do diabetes. Se hoje temos facilidades, naquela época a realidade era outra — e para uma menina de família simples, o desafio era dobrado. Lembro com clareza de coisas que hoje parecem absurdas: Agulhas que "cegavam":  Mesmo já existindo as descartáveis, a orientação que recebi era de fervê-las para reutilizar. O metal perdia o corte e a aplicação doía... como doía! Mas eu precisava ser forte. Insulinas de outra era: Eu usava a NPH bovina e suína. Não havia a estabilidade das insulinas sintéticas de hoje.  A restrição no prato: Como éramos mais pobres, a dieta era extremamente rígida. Não existiam produtos "diet" acessíveis ou contagem de carboidratos. O "não pode" era a regra. Olho para trás e sinto um aperto no peito por aquela menina de 10 anos, mas também um orgulho imenso. Cada picada cega e cada vontade de comer algo...

Ser mãe, costureira e diabética: a gente se vira nos 30!

Olha, se tem uma coisa que eu aprendi é que a vida não é uma costura reta. Às vezes a linha embola, a máquina trava e a glicemia resolve subir logo naquele dia que a gente tem mil encomendas para entregar. Quem me vê aqui no meu cantinho  cercada  por esses tecidos em tons pastéis que eu amo, nem imagina a correria! Muita gente me pergunta como eu dou conta de ser mãe e ainda cuidar do diabetes com tanta disciplina. A real? É um dia de cada vez. Tem dia que o ateliê é meu refúgio, onde eu esqueço do mundo. Mas tem dia que o sensor apita, as filhas chamam e a gente tem que parar tudo pra respirar e ajustar a rota. E tudo bem! Aprendi que não preciso ser perfeita, só preciso ser eu mesma. O diabetes faz parte de mim, mas ele não me define. Eu sou a Cristiane que cria, que costura, que cuida e que, acima de tudo, não desiste de deixar a vida um pouquinho mais colorida (e doce, do jeito certo!). Espero que esse blog seja um lugar pra gente trocar figurinhas de verdade, sem filtro ...