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Diário do recomeço: como voltei para o ateliê depois do transplante?

Como voltei para o ateliê com 3 meses de transplante Logo mais estarei completando 5 meses de transplante. O dia 16 de maio de 2026 foi, sem dúvida, o dia do meu renascimento. Mas hoje quero contar para vocês como foi quando dei o passo de voltar para o meu cantinho mais amado: o ateliê. Isso aconteceu quando completei 3 meses de transplante. Eu estava morrendo de saudade da máquina de costura, com mil ideias fervilhando na cabeça e uma vontade louca de fazer tudo ao mesmo tempo. Minha equipe em Belo Horizonte foi muito clara: "Cris, você pode voltar, mas sem forçar. No máximo 2 horas por dia na máquina. E tem que ir levantando e caminhando no meio, a cada 30 minutos."  O cuidado com a cicatriz e o risco de hérnia Meu maior medo era o desenvolvimento de uma hérnia incisional — que é quando a parede abdominal, ainda em processo de cicatrização, enfraquece e cede por dentro. Minha médica me explicou que, no meu caso, o risco é um pouco maior porque os medicamentos imunossupress...

Uremia, encefalopatia e transplante de rim: meu relato real na diálise peritoneal e o diagnóstico da cardiopatia hipertrófica obstrutiva

Relato real de uma paciente renal crônica que passou por falha na diálise peritoneal, uremia severa, encefalopatia urêmica, UTI com delirium e descobriu uma cardiopatia hipertrófica obstrutiva até chegar ao transplante de rim. Viver com insuficiência renal crônica exige uma resiliência que poucas pessoas conseguem imaginar. Não é apenas seguir uma rotina de tratamentos; é conviver diariamente com a fragilidade do próprio corpo. Olhando para trás, percebo o quanto o meu organismo tentou me avisar muito antes de eu realmente cair. E a minha história com a diálise peritoneal, com a uremia e, finalmente, com o transplante, é uma prova de que a nossa força é testada até o limite. O peso silencioso da uremia e as falhas no caminho Houve uma época em que o cansaço virou meu segundo nome. Mesmo com exames laboratoriais que pareciam "dentro da normalidade" e tomando alfaepoetina, a fraqueza era tanta que eu simplesmente não conseguia tomar banho. Meu apetite sumiu por completo. O que ...

Ela adoeceu e ele foi embora: a estatística do abandono que ninguém te conta

Quando a vida pede cuidado: o peso da doença nos relacionamentos e a força de ser acolhida Falar sobre o casamento e o amor em meio a uma doença crônica ou grave exige coragem. Quando a gente assume compromissos, a promessa clássica é "na alegria e na tristeza, na saúde e na doença". Mas a realidade nua e crua dos hospitais às vezes revela um cenário doloroso: estatísticas científicas mostram que mulheres adoecidas enfrentam índices alarmantes de abandono conjugal.  O que diz a ciência e os dados médicos? Pesquisas na área de sociologia da saúde e oncologia revelam estatísticas que chocam, mas que precisam ser ditas para que possamos apoiar umas às outras: ● Doenças graves em geral: um estudo publicado no Journal of Health and Social Behavior apontou que casais em que a mulher é diagnosticada com uma doença grave apresentam um risco significativamente maior de separação em comparação aos casais em que o homem adoece. ● O Impacto no câncer: dados divulgados pela Sociedade Bras...

Exercícios no pós-transplante: como o movimento protege o novo rim

Com 4 meses e meio de transplante renal, compartilho como a caminhada leve, proteção solar e hidratação ajudam a proteger o novo rim, controlar o diabetes,o peso e fortalece os ossos. Quando completamos os primeiros meses de transplante, eu estou com 4 meses e meio, a sensação de liberdade é indescritível. O corpo vai recuperando as forças e surge aquela vontade de se movimentar mais. Mas fica a dúvida: por que a atividade física é tão fundamental depois de um transplante renal e o que podemos ou não fazer nessa fase? Por que se movimentar faz toda a diferença para o rim transplantado? 1. Proteção e longevidade do enxerto:o exercício físico moderado melhora a circulação, ajuda a controlar a pressão arterial e reduz o estresse oxidativo. Pressão sob controle significa menos sobrecarga e mais durabilidade para o nosso novo rim. 2. Controle do diabetes e da glicemia: para quem tem diabetes, os músculos em movimento funcionam como "esponjas" que absorvem a glicose do sangue, aume...

O que aprendi na diálise: ouvir o corpo e buscar informação

Quando enfrentamos uma doença crônica como a insuficiência renal, é natural entregarmos nossa confiança aos profissionais que cuidam de nós. Precisamos desse suporte para seguir em frente. No entanto, ao longo do período em que fiz diálise peritoneal, passei por um ciclo de intenso sofrimento que me ensinou uma lição preciosa: nós também precisamos ser participantes ativos do nosso tratamento. Por um longo período, passei a enfrentar sintomas diários e extremamente severos. Minha pressão arterial despencava a níveis alarmantes, cheguei a um estado grave de desnutrição e convivia com um zumbido constante nos ouvidos. Chegava em casa apática, fraca e com episódios frequentes de desmaio. A situação se agravou a ponto de eu ter sido internada na UTI por três ocasiões, sem que houvesse melhora ou identificação da causa daquele agravamento naquele acompanhamento. A pouca urina que eu ainda conseguia produzir desapareceu completamente. Na terceira internação, foi identificada cardiopatia hipe...

Caneta emagrecedora e ganho de peso no pós-transplante: minha história

Da criança fofinha ao pós-transplante: a luta com o peso, gastroparesia e a verdade sobre a caneta emagrecedora. Se tem um assunto que mexe com a nossa autoestima e com a nossa saúde, é a balança. Na infância, eu era aquela criança "fofinha", não era gorda, era fofinha, sabe? Aos 10 anos de idade, quando veio o diagnóstico do diabetes tipo 1, perdi muito peso de uma vez e fiquei magrinha por anos. As coisas começaram a mudar depois da minha última gestação, em 2007. Vieram as injeções anticoncepcionais, o diagnóstico de hipotireoidismo e, em 2021, a entrada na diálise peritoneal. Para quem não sabe, a solução utilizada na diálise peritoneal contém glicose, o que gera um aporte diário de calorias absorvidas pelo organismo, favorecendo o ganho de peso e a retenção de líquidos. Com o transplante, no início perdi peso. Mas bastou passar o terceiro mês para recuperar tudo o que tinha perdido. O retorno do apetite, somado ao uso de corticoides e imunossupressores, torna o ganho de ...

Esqueci de tomar o remédio: o que fazer, o que evitar e como não passar sufoco!

Quem toma vários remédios todos os dias sabe o desafio que é manter tudo em dia. Entre imunossupressores, protetor gástrico, vitaminas e anti-hipertensivos, basta um dia mais corrido para a gente olhar para a cartela e perceber o susto: a caixa acabou e a dose da noite ficou para trás. Foi exatamente o que aconteceu comigo recentemente com o metoprolol (remédio que uso para controlar o ritmo do meu coração). Por ser um medicamento de ação prolongada, mantive a calma, providenciei a caixa nova logo de manhã bem cedinho e tomei a dose do dia normalmente. Mas esse pequeno susto me fez pensar: você sabe o que deve (e o que NUNCA deve) fazer quando esquece ou fica sem uma dose do seu remédio?  O que fazer (e o que jamais fazer) ao pular uma dose Quando lidamos com remédios contínuos, seja para pressão, coração, diabetes ou pós-transplante, a regra de ouro é a prudência. ❌ O que NUNCA fazer:  ● NUNCA dobre a dose: Se você esqueceu a dose da noite, jamais tome dois comprimidos juntos...