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Voltei!E trouxe linha agulha e muita história

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Citomegalovírus (CMV) no pós-transplante: um desafio de vigilância e calma

A jornada do transplante é um processo de aprendizado contínuo. Recentemente, em um dos meus exames de rotina, descobri que o citomegalovírus (CMV) está ativo. Sei que, ao ler esse nome, muitas pessoas podem sentir medo, mas quero compartilhar como estou lidando com isso — com serenidade e muita confiança na minha equipe médica. O que é essa visita inesperada? Para quem está começando agora, o CMV é um vírus que pode se manifestar em pacientes imunossuprimidos (como nós, que tomamos medicação para proteger o rim novo). Pense na carga viral como um "termômetro": meu exame, que estava em 1050, subiu para 16900. Por isso, a importância de estarmos sempre atentos aos exames de acompanhamento. Mesmo com o aumento dos números, estou totalmente assintomática. A detecção precoce é nossa maior aliada. Já enviei o resultado para o médico que me acompanha desde o início; ele conhece cada detalhe do meu histórico e saberá exatamente qual o melhor ajuste na medicação para manter o vírus s...

Pequenos prazeres: quando o sabor e o cuidado caminham juntos

Às vezes, a lista de "não posso" parece maior que a de "posso". Mas, ao longo deste primeiro mês, descobri que o prazer de comer não precisa ser proibido. Ele só precisa de um pouco mais de criatividade. Cozinhar para mim mesma — e para a minha família — tornou-se uma forma de meditação e um cuidado com o rim que agora é parte de quem eu sou. Hoje, quero compartilhar com vocês duas receitas que fazem sucesso aqui em casa: uma para quando queremos algo salgado que conforta, e outra para quando o coração pede um doce sem culpa. 1. Salgado: Nuvens de frango e ervas (almôndegas leves) Ideal para o almoço ou jantar, por ser proteína magra e de fácil digestão.  Ingredientes: Peito de frango moído, um pouco de cenoura ralada bem fininha (cozida para ficar macia), coentro ou salsinha e um fio de azeite.  Preparo: Misture tudo e modele pequenas bolinhas. Grelhe em frigideira antiaderente com um fio mínimo de azeite( pode ser na Airfryer)É simples, não irrita o estômago e é p...

O equilíbrio delicado: lidando com a glicemia na fase de recuperação

Um dos maiores desafios que não aparecem, é a montanha-russa da glicemia. Quem vive o pós-transplante sabe: o corpo está passando por uma adaptação intensa, e o uso de corticoides — fundamentais para a proteção do novo rim — traz um efeito colateral conhecido por muitos: a resistência à insulina. Existem dias em que parece que a insulina não faz efeito, e a glicemia sobe sem pedir licença. É frustrante, eu sei. Mas é importante lembrar que essa oscilação não é uma falha sua; é uma resposta química do seu organismo ao tratamento imunossupressor. O que aprendi até agora é que a paciência é tão importante quanto a insulina. É uma fase de ajustar o relógio, de monitorar cada pico e de ter um diálogo muito aberto com a equipe médica. Não estamos apenas cuidando de um órgão, estamos realinhando todo um sistema.  Diário da Recuperação  Como me sinto hoje: Um pouco mais consciente sobre como o meu corpo reage aos horários dos remédios.  O desafio da semana: Aceitar que a glicemia...

A pressa não cura: aprendendo a respeitar o ritmo do meu novo corpo

 O aprendizado mais difícil: respeitar o tempo do meu novo corpo. Durante muito tempo, minha vida foi movida pela urgência. Eu tinha metas, prazos, afazeres domésticos, costuras que precisavam sair do papel e a energia de quem quer dar conta de tudo. Quando o transplante aconteceu, recebi uma nova vida, mas também recebi um lembrete físico constante: o meu corpo agora tem o seu próprio relógio. No começo, essa lentidão me causava uma ansiedade, pois estava mais disposta! Eu queria voltar a ser quem eu era antes, queria limpar a casa, organizar meu ateliê e seguir o ritmo acelerado da família sem me cansar. Mas o transplante me ensinou que a pressa é uma péssima companheira na recuperação. Hoje, entendo que "respeitar o tempo do meu corpo" não é preguiça; é proteção. É aceitar que, em alguns dias, a maior vitória não é o que eu produzi, mas sim o cuidado que eu tive comigo mesma. É entender que cada pausa que faço é um degrau a mais na escada da minha nova saúde. Aos poucos, e...

Comida que abraça: como manter a segurança no prato,sem abrir mão do sabor

Receber o diagnóstico de que preciso de cuidados redobrados com a alimentação — entre a recuperação do transplante, o controle do diabetes e a gastroparesia — me assustou no início. A pergunta que não queria calar era: O que sobra para eu comer? A resposta, felizmente, é:  muita coisa boa! Descobri que comer bem não é sobre o que eu não posso, mas sobre como preparar o que eu preciso . Aqui em casa, transformamos a cozinha em um laboratório de cuidado. Quando a gente faz uma comida leve, a família toda ganha em saúde.  O meu cardápio "zero medo":  Café da Manhã:  Ovo mexido bem cremosinho (feito com um fio de azeite) acompanhado de pão de forma sem casca, levemente torrado. É uma proteína de fácil digestão e segura para a glicemia.  Almoço: Frango ao molho de cúrcuma com arroz branco bem cozido e cenoura refogada (sem casca). A cenoura bem macia é o segredo para não pesar no estômago. Lanche da Tarde: Compota de maçã (cozida sem casca e com canela). É doce, acal...

30 dias de uma nova vida: celebrando meu primeiro mês de transplante

Hoje é um dos dias mais marcantes da minha história. Completo exatamente um mês de transplante. Se há trinta dias eu estava no hospital, com o coração cheio de medos e expectativas, hoje estou aqui, na segurança do meu lar, escrevendo este post e celebrando o milagre da vida nova que ganhei. Dizem que o transplante é um renascimento, e hoje eu sei que é a mais pura verdade. Este primeiro mês não foi um mar de rosas: teve o desafio de me adaptar à rotina rigorosa dos novos medicamentos, os cuidados extremos com a higiene e a alimentação, e aquela ansiedade que às vezes bate para querer fazer tudo ao mesmo tempo.  Cada manhã que acordo e vejo o sol entrar pela janela é uma vitória. Cada dose de remédio que tomo me lembra do tamanho da bênção que recebi. Eu não canso de dizer o quanto tenho sorte. Passar por esse primeiro mês — que costuma ser o mais delicado — cercada pelo amor do meu marido e das minhas três filhas fez toda a diferença. Ver o cuidado deles comigo, o capricho delas n...

Sonhando com o retorno ao Cantinho da Mamãe

Hoje, enquanto organizava alguns retalhos de tecido aqui no meu ateliê, percebi que, embora as máquinas estejam em pausa, os meus sonhos continuam a todo vapor. Muitas vezes, a jornada do pós-transplante exige que a gente diminua o ritmo. É um tempo de cuidar do corpo, de respeitar os limites e de entender que a minha recuperação é o projeto mais importante que tenho agora. Mas, nos momentos de silêncio, minha mente viaja para o futuro. Quando o médico me der o sinal verde e eu estiver totalmente liberada para voltar à minha rotina criativa, não vejo a hora de: ● Criar aquelas peças de enxoval que ficam guardadinhas na minha cabeça há meses. ● Sentir novamente o prazer do tecido passando sob a agulha, criando algo novo do zero. ● Transformar cada retalho em um pedacinho de carinho para quem receber minhas costuras. Saber que o Cantinho da Mamãe estará lá, me esperando, me dá uma energia extra para seguir firme em cada dose de medicação e em cada cuidado com a minha saúde. A costura, pa...