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Se tem uma coisa que eu agradeço todos os dias é por viver uma fase de muita leveza: por aqui, as minhas meninas são umas parceiras que me ajudam muito, e nos fins de semana o maridão assume a cozinha. Sou muito mimada nessa fase pós-transplante, cercada de amor e cuidado com muito carinho. Mas, conversando com tantas mulheres, eu sei bem que essa não é a realidade da maioria. Muitas de nós carregam o mundo nas costas sozinhas: a casa, o trabalho, a criação dos filhos, a gestão da própria saúde — seja o diabetes tipo 1, os cuidados de um transplante ou as mil correrias do dia a dia — sem ter com quem dividir o peso. E tem mais: quantas de nós já não bateram de frente com a dificuldade de conseguir liberação no trabalho? Patrões ou empresas que dificultam a ida a uma consulta, que torcem o nariz para um atestado de exame preventivo, como se cuidar da própria vida fosse um "favor" e não um direito básico. É por isso que eu digo e repito: cuidar de si é um ato de resistência. ...