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Um sentimento que tem me acompanhado muito neste pós-transplante é o do merecimento. Às vezes, me pego perguntando se realmente mereço a chance de viver de novo. A diálise peritoneal foi o que me manteve viva, e sou imensamente grata por isso. Mas, no ano passado, passei por algumas intercorrências sérias e precisei ser internada três vezes. Na minha cidade, a primeira internação foi assustadora. A equipe do hospital, em um primeiro momento, não soube como agir. Por não saberem como me conectar à máquina de diálise peritoneal, acabaram me colocando na UTI e iniciando uma hemodiálise de emergência. Meus exames só pioravam, e a melhora só veio quando voltei a fazer a diálise peritoneal, ainda dentro da UTI. Lembro de tentar orientar as enfermeiras sobre o procedimento correto: como higienizar as bolsas e o cassete, a importância de usar máscara e de manter o ambiente isolado durante o processo. Mas parecia que eu falava outra língua. Pessoas entravam no quarto a todo momento, algumas pro...