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Mostrando postagens com o rótulo A história do diabetes

Novembro diabetes azul dia 7: a revolução do glicosímetro e a fita que mudou a nossa história

A revolução do glicosímetro e a fita que mudou tudo (mas que nem sempre foi de todos) Se você tem acompanhado a nossa maratona de novembro, já viu que eu adoro voltar no tempo. Já falamos da insulina, das seringas de vidro e daquela garrafa com reagente de Benedict que era um líquido azul, que a gente esquentava no fogão. Mas hoje nós vamos dar um salto para o dia em que a tecnologia finalmente coube na palma da mão: a chegada do glicosímetro portátil.  O aparelho que parecia de outro mundo Nos anos 80 e início dos anos 90, quando a medicina deu o passo de tirar o teste de urina e colocar o sangue direto no visor digital, foi uma revolução tecnológica impressionante. Os primeiros aparelhos eram grandes — pareciam uma caixinha pesada — exigiam gotas enormes de sangue e demoravam um tempão para dar o resultado. Mas sabe qual era o maior problema? O preço. Ter um glicosímetro em casa era para poucos. O aparelho custava uma fortuna, e as caixas de fitas reativas eram um verdadeiro arti...

Novembro diabetes azul dia 6: a evolução das insulinas, minha história real

Deixa eu te contar uma história. A evolução das insulinas até os dias de hoje. Eu vivi ela no meu corpo. Vamos falar sobre a evolução da insulina. Quem começou a tratar o diabetes nos anos 90 sabe exatamente do que eu estou falando: as insulinas de antigamente eram turvas, leitosas e vinham de animais (boi e porco). Elas tinham um cheiro forte, muito característico — quem usou naquela época guarda esse cheiro na memória até hoje. E a aplicação vinha acompanhada de rituais e sacrifícios: causavam alergias, deixavam caroços e coceiras na pele. Antes de aplicar, a gente tinha que girar o frasco delicadamente entre as mãos, bem devagar, torcendo para misturar sem formar bolhas e nunca chacoalhar. Eu misturava duas insulinas para não precisar levar duas picadas (quando tive essa informação da equipe médica, fiquei super feliz!): NPH+regular  na mesma seringa, uma picadinha só. Existia até a 70 por 30 (70% NPH e 30% regular) já pronta, mas eu nunca usei porque era cara. Ah, e o sofriment...

Novembro diabetes azul dia 5: como a gente media glicemia antes do sensor

Se você tem diabetes hoje e reclama do preço da fita, senta aqui que eu vou te contar como era antes. Nos anos 90, quando fui diagnosticada em 1991, a gente não tinha sensor, não tinha glicosímetro em casa. O que tinha era muita criatividade para economizar. Tudo começou antes, com o teste mais antigo que eu cheguei a ver. O Reagente de Benedict. Ganhei da Associação de Diabéticos uma garrafa grande, do tamanho de garrafa de refrigerante, com um líquido azul dentro.  Pegava um pouco de urina, colocava num tubo de ensaio com aquele líquido azul e levava para a boca do fogão. Ou acendia uma vela. Esquentava até aquecer, não lembro se precisa ferver. A cor que ficava dizia tudo: Azul = negativo Verde = pouco açúcar(glicose na urina) Vermelho tijolo = muito açúcar (muita glicose na urina) Só que, isso não era a glicemia da hora. Era a glicemia de horas atrás, que já tinha saído na urina e ficou acumulada na bexiga. Era totalmente atrasado, mas era o que tinha na época. Era impreciso, d...

Novembro diabetes azul dia 4: quem descobriu que existe diabetes tipo 1 e tipo 2? E como isso quase confundiu o diagnóstico da minha filha

Nos últimos 3 dias a gente viajou para 1921, 1922 e 1923, na descoberta da insulina. Hoje a gente dá um pulo para 1936. Você sabia que no começo achavam que todo diabetes era igual? Só em 1936 um médico inglês chamado Harold Himsworth percebeu que existia diferença. Ele viu que tinha gente que a insulina fazia efeito rápido e gente que não. Ele foi o primeiro a dizer: existem dois comportamentos diferentes de diabetes. Foi a primeira semente da separação entre tipo 1 e tipo 2. Só que os nomes tipo 1 e tipo 2 que a gente usa hoje só começaram a ser usados de verdade nos anos 70 e 80.  E por que eu estou te contando isso? Porque a confusão de tipos acontece até hoje, e aconteceu com a minha própria filha. Quando eu fui diagnosticada, em 1991, era simples: criança magra com muita sede, muito xixi e perdendo peso, era diabetes juvenil, hoje tipo 1. Meu diagnóstico foi certeiro. Com a minha filha, em 2018, a história foi diferente e eu já contei aqui no blog. Apareceram aquelas manchas ...

Novembro diabetes azul dia 3: o Prêmio Nobel de 1923, a traição e o dinheiro dividido por culpa

Se você leu o dia 1 e o dia 2, você já sabe que em janeiro de 1922 o menino Leonard Thompson, de 14 anos, quase morrendo, foi o primeiro a receber insulina e sobreviver. Foi um milagre. Mas por trás desse milagre teve uma briga tão feia, que até hoje, mais de 100 anos depois, a gente ainda fala sobre isso. Deixa eu te contar como foi de verdade, porque nos livros parece tudo bonitinho e não foi. Em 1921, em Toronto, no Canadá, tinha um médico jovem, o Frederick Banting, que teve uma ideia maluca de madrugada. Ele achava que dava para tirar alguma coisa do pâncreas. Ele foi falar com o chefe do laboratório, o Professor John Macleod. O Macleod não botou muita fé, mas emprestou um laboratório bem sujo, uns cachorros para experiência e um estudante para ajudar. Esse estudante era o Charles Best, tinha só 22 anos. Era ele e o Banting, sozinhos, naquele verão quente de 1921, operando cachorro, sem ar condicionado, sem férias. O Macleod, o chefe, foi viajar para a Escócia, de férias. Eles con...

Novembro diabetes azul dia 2: a era da dieta da fome e as primeiras seringas de vidro

Olá, que alegria ter você de volta no nosso cantinho! Ontem a gente viu como a insulina salvou o Leonard em 1922. Mas você sabia que descobrir a insulina foi só metade do caminho? O maior desafio veio depois: como fazer aquela gotinha de esperança chegar até o corpo todos os dias, sem faltar nunca.  Hoje eu quero te contar sobre uma fase da história que pouca gente conhece, mas que toda mãe de DM1 precisa agradecer por ter ficado no passado. Quando comer era proibido  Antes da insulina, o Dr. Frederick Allen nos Estados Unidos ficou famoso por uma dieta cruel chamada "dieta da fome". Para tentar baixar a glicemia, ele deixava crianças e adultos comendo 400, 300 calorias por dia. Só verdura cozida em água, café preto e jejum. As crianças ficavam pele e osso. Muitas famílias escreviam em diários que era de partir o coração ver o filho pedindo pão e não poder dar. Essa dieta não curava, só adiava a partida por alguns meses. Quando a insulina chegou em 1922, finalmente essas cria...

Novembro diabetes azul dia 1: a história real de como a insulina salvou o mundo em 1922

Olá, que alegria ter você aqui no nosso cantinho. Chegamos em novembro, o mês de conscientização sobre o diabetes. E quando a gente fala em conscientização, muita gente pensa logo em números, exames e rotinas puxadas. Mas hoje eu quero te fazer um convite diferente: vamos voltar no tempo e olhar para a história de quem abriu o caminho para que hoje nós possamos estar aqui, respirando, vivendo e sonhando. Se você convive com o diabetes tipo 1 (DM1) ou ama alguém que convive, você sabe o quanto a insulina é preciosa. Mas você já parou para pensar em como era o mundo antes dela existir? O peso do tempo em que não havia esperança Até o início da década de 1920, receber um diagnóstico de diabetes tipo 1 era, infelizmente, uma sentença muito difícil. Não existia insulina nas farmácias, não existia seringa, não existia tecnologia. A única "solução" que os médicos tinham em mãos era uma dieta de fome desumana. As crianças e adultos recebiam porções mínimas de comida — muitas vezes me...

Novembro azul e a conscientização do diabetes: o que esperar do mês

Fechando outubro e abrindo o coração para novembro! Outubro está se despedindo, e por aqui o mês teve aquele ritmo de quem está se cuidando com carinho. Com cinco meses de transplante, a prioridade é o repouso e a preservação do rim novo, então o ateliê funciona num ritmo bem leve: no máximo duas horinhas por dia entre linhas e agulhas, só para manter a alma criativa feliz. Entre esse tempinho artesanal, as idas às consultas, a atenção aos exames, a rotina vai se ajeitando no seu próprio tempo. A vida real de quem está se recuperando não é uma correria maluca; é um exercício diário de paciência, respeito aos limites do corpo e muita gratidão. Mas sabe o que acontece quando outubro se despede? A gente abre a porta para novos horizontes! E eu já vou avisando: novembro vem com tudo por aqui! O próximo mês vai ser todinho dedicado a uma maratona especial de conscientização sobre o diabetes. Teremos posts diários, sempre às 9 horas da manhã, conversando abertamente sobre a nossa rotina, os ...

De volta para o futuro: a comunidade do diabetes e meu retorno ao blog

Memórias de blogueira: a era de ouro dos blogs, a comunidade do diabetes e por que eu decidi voltar Olá, meu povo querido! Puxa a cadeira, pega um café que hoje o papo é nostálgico e bate forte no coração de quem acompanha a internet há um tempão: a saudade dos blogs e a nossa jornada na comunidade do diabetes. Quem me acompanha há mais tempo talvez lembre do começo de tudo. Por volta de 2011 ou 2012, confesso que a data exata já se perde na memória, eu comecei a escrever num site chamado Banco de Saúde. Quem é das antigas vai lembrar! Era uma rede social só de saúde, tipo um Orkut da saúde, pioneiro demais. A gente criava um perfil, colocava nosso tipo de diabetes, os remédios que tomava e escrevia um diário. Era cru, era real, era nosso. Só que, em um belo dia, veio o aviso: o site ia começar a cobrar assinatura. E a gente, que já gasta tanto com insulina, fita, glicosímetro... não tinha como ficar arcando com isso. Foi aí que a mágica aconteceu: em massa, muitos blogueiros da área d...

Do guaraná de garrafa de vidro às cestas de afeto: minha jornada com o diabetes desde 1991

Quem é diagnosticado com diabetes hoje encontra prateleiras cheias de opções sem açúcar nos supermercados. Mas você se lembra de como era ser diabética nos anos 90? Descobri o diabetes em 1991. Naquela época, encontrar qualquer coisa diet era uma verdadeira caça ao tesouro. Os refrigerantes eram em garrafa de vidro, uma delícia— Coca e Guaraná diet. No mercado, a única opção de sobremesa era a gelatina em pó e, tempos depois, o pudim diet de caixinha. O leite era o Molico desnatado. Lembro que quando lançaram uma versão com sabor de morango, o gosto não era dos melhores, mas eu tomava feliz só pelo gostinho, lembrava o Nesquick, só que aguado! Para fazer achocolatado, eu usava um chocolate amargo com adoçante. E por falar em adoçante... quem viveu a época do Assugrin sabe o gosto forte que ele tinha! Depois veio o Zero-Cal e, em meados dos anos 90, lançaram um com gosto de mato (a famosa Stevia).  A realização de um sonho e a descoberta do chocolate preferido Nos anos 2000, as cois...

A história do diabetes (parte 3): o presente tecnológico, sensores, pâncreas artificial e a insulina semanal

Chegamos ao último capítulo da nossa série! Depois de passarmos pelas agulhas fervidas e pela época em que mediamos a glicemia na urina, o presente nos presenteia com inovações que pareciam ficção científica há poucas décadas. Hoje, a tecnologia não apenas salva vidas, mas devolve liberdade, noites de sono tranquilas e a chance de viver o diabetes de uma forma muito mais leve. A era dos sensores contínuos (CGM): o fim das dezenas de furadas de dedo Uma das maiores revoluções dos últimos anos foi o aparecimento do Monitoramento Contínuo de Glicose (CGM). Em vez de furar os dedos 6, 8 ou 10 vezes ao dia para saber apenas o valor daquele exato segundo, hoje colamos um pequeno sensor na pele que lê a glicose do líquido intersticial continuamente. O mercado evoluiu com diversas marcas e modelos de sensores para diferentes perfis e preferências:  ● FreeStyle Libre (Abbott): um dos pioneiros mais populares no Brasil. Nas versões Libre 1 e Libre 2, permitiu escanear com o celular e ver grá...

A história do diabetes (parte 2): a era do controle, das furadas de dedo e a minha memória com a glicofita

Depois do milagre da descoberta da insulina nos anos 1920, as décadas de 1970 a 2000 trouxeram avanços gigantescos na forma de aplicar a medicação e monitorar a glicose. Foi nesse período que a medicina começou a dar os primeiros passos para nos devolver o controle do dia a dia. No segundo capítulo da nossa série, convido você a relembrar como era fazer esse controle antes da praticidade de hoje — uma viagem no tempo cheia de nostalgia, superação e lembranças de uma época em que o acesso era ainda mais difícil. O controle do açúcar pela urina: Reagente de Benedict e Glicofita Hoje estamos acostumados a olhar para o celular e ver o número exato da glicemia em tempo real. Mas durante muito tempo, a única forma de monitorar a taxa de açúcar era de forma indireta: avaliando a urina. Quem viveu essa época se lembra bem das ferramentas que usávamos:  ● O Reagente de Benedict:  um líquido azul que precisava ser misturado com algumas gotas de urina e aquecido (geralmente em banho-mari...

A história do diabetes (parte 1): da sentença à salvação e a descoberta da insulina

Conviver com o diabetes tipo 1 hoje envolve tecnologias surpreendentes, mas nem sempre foi assim. Olhar para o passado nos ajuda a entender a dimensão do milagre que a medicina operou ao longo do último século e a ter ainda mais gratidão por cada recurso que temos disponível atualmente. No primeiro capítulo desta série, convido você a viajar no tempo para conhecer o início de tudo: a era pré-insulina, a descoberta revolucionária e os desafios dos primeiros tratamentos. O cenário antes de 1921: a era do jejum extremo Antes da década de 1920, o diagnóstico de diabetes tipo 1 era equivalente a uma sentença inevitável. Como o corpo não produzia insulina para colocar a glicose para dentro das células, o açúcar se acumulava no sangue enquanto o organismo literalmente definhava. O único "tratamento" disponível na época era a chamada dieta do jejum (criada pelo médico Frederick Allen). Os pacientes eram submetidos a uma restrição calórica drástica — consumindo às vezes menos de 500 c...

Memórias de 1991: Quando ser criança exigia coragem

Hoje parei para lembrar de quando tudo começou. Eu tinha só 10 anos e o mundo parecia ter ficado de cabeça para baixo com o diagnóstico do diabetes. Se hoje temos facilidades, naquela época a realidade era outra — e para uma menina de família simples, o desafio era dobrado. Lembro com clareza de coisas que hoje parecem absurdas: Agulhas que "cegavam":  Mesmo já existindo as descartáveis, a orientação que recebi era de fervê-las para reutilizar. O metal perdia o corte e a aplicação doía... como doía! Mas eu precisava ser forte. Insulinas de outra era: Eu usava a NPH bovina e suína. Não havia a estabilidade das insulinas sintéticas de hoje.  A restrição no prato: Como éramos mais pobres, a dieta era extremamente rígida. Não existiam produtos "diet" acessíveis ou contagem de carboidratos. O "não pode" era a regra. Olho para trás e sinto um aperto no peito por aquela menina de 10 anos, mas também um orgulho imenso. Cada picada cega e cada vontade de comer algo...