Olá, que alegria ter você de volta no nosso cantinho!
Ontem a gente viu como a insulina salvou o Leonard em 1922. Mas você sabia que descobrir a insulina foi só metade do caminho? O maior desafio veio depois: como fazer aquela gotinha de esperança chegar até o corpo todos os dias, sem faltar nunca.
Hoje eu quero te contar sobre uma fase da história que pouca gente conhece, mas que toda mãe de DM1 precisa agradecer por ter ficado no passado.
Quando comer era proibido
Antes da insulina, o Dr. Frederick Allen nos Estados Unidos ficou famoso por uma dieta cruel chamada "dieta da fome". Para tentar baixar a glicemia, ele deixava crianças e adultos comendo 400, 300 calorias por dia. Só verdura cozida em água, café preto e jejum.
As crianças ficavam pele e osso. Muitas famílias escreviam em diários que era de partir o coração ver o filho pedindo pão e não poder dar. Essa dieta não curava, só adiava a partida por alguns meses.
Quando a insulina chegou em 1922, finalmente essas crianças puderam comer de novo. Foi o primeiro milagre.
E as seringas? Um susto só de olhar
Hoje a gente reclama da picadinha da caneta, né? Imagina em 1923.
As primeiras seringas eram de vidro grosso, com agulhas enormes que precisavam ser fervidas todos os dias para esterilizar. Eram afiadas na pedra, igual faca. A mesma agulha era usada por meses. Doía, inflamava e muitas vezes infeccionava.
As mães precisavam aprender a ferver a seringa em uma caixinha de metal, a medir a insulina turva olhando contra a luz e a fazer a conta de cabeça. Não tinha medida pronta. Um errinho podia ser fatal.
Já ouvi histórias de pessoas que guardavam a seringa em álcool dentro de um potinho na geladeira. Era o bem mais precioso da casa.
O que isso tem a ver com a gente hoje?
Quando hoje vejo minha filha com a canetinha descartável, com agulha de 4mm que quase não sente a picadinha ou quando vejo uma criança com sensor que mede sozinho, eu lembro dessas mães de 1923.
Elas ferveram vidro, afiaram agulha, passaram noites sem dormir medindo gota por gota para que hoje a gente pudesse ter conforto. O nosso "fácil" de hoje foi construído em cima do muito difícil delas.
Honrar a história é também agradecer por cada facilidade que temos agora.
Me conta: você já tinha visto uma seringa de vidro antiga? Sua mãe ou avó chegou a ver uma?

Comentários
Postar um comentário