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Memórias de 1991: Quando ser criança exigia coragem

Hoje parei para lembrar de quando tudo começou. Eu tinha só 10 anos e o mundo parecia ter ficado de cabeça para baixo com o diagnóstico do diabetes.

Se hoje temos facilidades, naquela época a realidade era outra — e para uma menina de família simples, o desafio era dobrado. Lembro com clareza de coisas que hoje parecem absurdas:

Agulhas que "cegavam":  Mesmo já existindo as descartáveis, a orientação que recebi era de fervê-las para reutilizar. O metal perdia o corte e a aplicação doía... como doía! Mas eu precisava ser forte.

Insulinas de outra era: Eu usava a NPH bovina e suína. Não havia a estabilidade das insulinas sintéticas de hoje.

 A restrição no prato: Como éramos mais pobres, a dieta era extremamente rígida. Não existiam produtos "diet" acessíveis ou contagem de carboidratos. O "não pode" era a regra.

Olho para trás e sinto um aperto no peito por aquela menina de 10 anos, mas também um orgulho imenso. Cada picada cega e cada vontade de comer algo diferente me ensinaram a resiliência que hoje aplico no meu ateliê  e na criação das minhas três filhas.

Hoje, com minha bomba de insulina, eu sou a prova viva de que aquele começo difícil não foi o fim, mas o início de uma história de superação.

Você também tem uma lembrança do início do seu diagnóstico que te fez crescer? Me conta aqui embaixo. 
















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