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Novembro diabetes azul dia 8: o peso invisível do diagnóstico, os julgamentos e onde encontrei acolhimento

Que bom ter você aqui em mais um dia da nossa maratona de novembro.

Nos últimos dias, viajamos pela história da medicina, pelas seringas de vidro e pela evolução da insulina. Mas hoje eu quero puxar uma cadeira e conversar com você sobre algo que não vem em manual e que dói muito mais do que qualquer agulha: o peso invisível do diagnóstico e o preconceito que vem de quem está mais perto.

A herança do silêncio e da vergonha

Quando olho para trás, para a minha infância e juventude, percebo o quanto o peso de uma doença crônica era amplificado pela falta de informação e pelo medo. Naquela época, por falta de orientação e por uma tentativa (talvez torta) de me proteger, minha mãe me orientava a esconder que eu tinha diabetes. Eu cresci achando que aquilo era algo a ser acobertado, como se fosse uma culpa ou uma falha minha.

Chegou um momento da minha vida em que eu já escondia dela mesma para evitar levar bronca. Lembro perfeitamente do dia em que contei para o meu namorado (que hoje é meu marido) que eu tinha diabetes. Minha mãe se assustou e perguntou: "você contou?". Eu disse que sim — e que ele simplesmente não ligou para isso, me acolheu do jeito que eu era. Foi a melhor coisa que fiz. Aquele estranho me deu o respeito que muitas vezes faltava dentro de casa.

O julgamento que continua: a vigilância no prato

Infelizmente, essa mania de apontar o dedo não ficou só no passado. Quem convive com o diabetes sabe bem o quanto a família e os parentes (como pai, tias e outros familiares) acham que têm o direito de vigiar a nossa vida.

Sofri muito na minha infância e juventude, meus parentes, me julgavam pela quantidade que comia, me condenavam,  como se fosse crime, eu comer escondido, às vezes doce como um chup-chup e eu era massacrada...eu fui uma criança pobre que desenvolvi compulsão alimentar. Nem conto o que sofri na casa do meu genitor! Era chamada de gulosa e mal educada! Era acusada de tudo! Queria poder acolher aquela criança que fui, poder proteger ela...mas as coisas mudaram, eu cresci, minha vida melhorou, o que fez aquela compulsão alimentar deixar de existir.

Com a minha filha, diagnosticada em 2018, eu decidi que seria diferente. Desde o primeiro dia, eu a ensinei a nunca ter vergonha de dizer que tem diabetes ou de aplicar insulina em público. A prioridade absoluta é a saúde e a liberdade dela!

Mas, infelizmente, ela também sofre com os palpites da própria família. Parentes se acham no direito de julgar a quantidade de comida no prato dela, implicam quando ela come mais um pedaço de bolo ou brigadeiro em uma festa familiar.

Vamos colocar os pingos nos is? Ela conhece a contagem de carboidratos de cor, nós fazemos os cálculos juntas com todo o cuidado, e ela tem o direito de comer suas guloseimas! Nossa alimentação em casa é super saudável e ela é extremamente zelosa com a saúde. Se ela extrapola um pouquinho com brigadeiro, bolo de aniversário ou sorvete, isso é super compreensível e humano. Ninguém é robô.

 O que fica de lição

Viver com uma condição crônica e passar por tudo o que passei — incluindo o meu transplante renal em maio deste ano — me mostrou que a gente precisa filtrar quem tem o direito de opinar na nossa vida.

Se você passa por julgamentos ou olhares tortos dentro da sua própria família, saiba que o erro não está em quem cuida da saúde e busca viver com alegria; está na falta de empatia de quem escolhe julgar. Romper o ciclo do segredo, ensinar nossos filhos a terem orgulho de quem são e escolher ao nosso lado quem nos ama de verdade é o ato de revolução mais bonito que podemos fazer.

Me conta aqui nos comentários: você também já passou por isso? Te ensinaram a esconder o diabetes na infância? Como você lida com os palpites da família sobre o que vai no prato? Vamos conversar sobre isso, porque desabafar cura! 

Um abraço bem apertado e cheio de afeto,

Cris

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