Se tem uma coisa que eu agradeço todos os dias é por viver uma fase de muita leveza: por aqui, as minhas meninas são umas parceiras que me ajudam muito, e nos fins de semana o maridão assume a cozinha. Sou muito mimada nessa fase pós-transplante, cercada de amor e cuidado com muito carinho.
Mas, conversando com tantas mulheres, eu sei bem que essa não é a realidade da maioria. Muitas de nós carregam o mundo nas costas sozinhas: a casa, o trabalho, a criação dos filhos, a gestão da própria saúde — seja o diabetes tipo 1, os cuidados de um transplante ou as mil correrias do dia a dia — sem ter com quem dividir o peso.
E tem mais: quantas de nós já não bateram de frente com a dificuldade de conseguir liberação no trabalho? Patrões ou empresas que dificultam a ida a uma consulta, que torcem o nariz para um atestado de exame preventivo, como se cuidar da própria vida fosse um "favor" e não um direito básico. É por isso que eu digo e repito: cuidar de si é um ato de resistência.
A prevenção sem terrorismo
Quem convive com o diabetes sabe que os exames de rotina já ocupam um espaço importante na nossa agenda. Mas, com tantas barreiras, encaixar os cuidados específicos da saúde feminina pode parecer uma missão impossível.
Por isso, amiga, deixa eu te dar um recado de comadre: não deixe para depois. Levante daí, vá ao posto de saúde, ligue no convênio ou agende aquela consulta que está empurrada com a barriga.
O preventivo (Papanicolau): ele salva vidas ao detectar alterações antes que virem um problema grave. Conversando com seu médico e mantendo a rotina em dia, após os primeiros exames anuais normais, a frequência costuma ser a cada 2 a 3 anos (dependendo das diretrizes e do seu histórico de saúde, como no caso de quem tem imunossupressão e precisa de um olhar mais estreito).
Sem exames da moda e sem pânico: cuidado com a cultura do "exame desnecessário" que só gera ansiedade. O foco é o básico bem-feito: o preventivo em dia, a mamografia conforme a faixa etária ou indicação médica, e o acompanhamento de quem entende do seu histórico.
Para nós, mulheres transplantadas ou com doenças crônicas, manter esse acompanhamento alinhado com a equipe médica não é luxo: é sobrevivência e garantia de que vamos continuar firmes para ver nossas filhas crescerem e conquistar nossos sonhos.
Parar para respirar e acolher umas às outras
Se você está numa fase em que falta apoio e o trabalho suga suas energias, saiba que você não está sozinha. Olhar para o espelho e ver a nossa resiliência — seja nas cicatrizes de uma longa jornada ou na rotina puxada — nos lembra da força gigante que carregamos.
O outubro rosa é o momento perfeito para darmos um basta nas desculpas e exigirmos o nosso espaço de saúde. Se puder, agende seus exames, converse com seu médico e lembre-se de que o seu corpo é seu bem mais precioso.
Me conta aqui nos comentários: como tem sido a sua rotina de exames preventivos por aí? Você consegue liberação e apoio no seu trabalho? Vamos conversar e nos apoiar mutuamente?
Um abraço bem apertado,
Cris 🌸

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