Hoje faz 5 meses que ganhei meu rim novo. 16 de maio de 2026, dia do meu renascimento. Nesses 5 meses, vivi de tudo um pouco.
Teve dias em que me senti mais cansada e prostrada, normal do pós-transplante. Teve a correria da casa, que não para: alimentação para organizar, preocupação de mãe que não acaba nunca.
Minhas filhas são meu mundo. Duas na faculdade, cada uma com seus desafios. Minha filha diabética, que exige atenção diária. Minha filha mais velha, com suspeita de endometriose, em investigação, me preocupo com as dores dela.
E tem a minha caçula. É ela que sempre me acompanha nas consultas em BH. Pega estrada comigo, fica horas esperando. Ela fica atenta aos alarmes do meu celular para eu tomar os imunossupressores na hora certa, confere comigo os valores da glicemia. Sem ela, eu me perderia. Ela é meus olhos e minha memória nas consultas.
Meu marido também passou por um susto nesse último mês, com dor de barriga e diarreia por causa da água contaminada do trabalho. Corri com ele na gastro, que pediu uma investigação completa: exames de sangue, urina, ultrassom, endoscopia e colonoscopia. É muita preocupação pra uma família só, mas estamos juntos em cada exame.
E sobre mim, o que mais aprendi nesses 5 meses foi ficar atenta. Atenta, não com medo o tempo todo. Atenta com carinho. Qualquer sintoma diferente, qualquer manchinha na pele por causa do sol - porque agora preciso ter muito cuidado com o sol, risco de câncer de pele - eu comunico na hora à equipe de transplante em BH. Aprendi que comunicar rápido é o melhor cuidado que posso ter com meu rim.
E se tem uma coisa que me dá felicidade todos os dias, é o prazer de fazer muito xixi em cada ida ao banheiro! Quem fez diálise sabe o valor disso. Poder beber muita água nesse calorão, poder suar! Ver meu cabelo crescendo de novo, minha pele hidratada, isso não tem preço.
Minha cabeça está a mil, mil ideias, mil projetos fervilhando aqui para o ateliê. Vontade de fazer tudo ao mesmo tempo.
Os desafios da estrada para BH continuam. O carro da prefeitura agora é compartilhado, tem motoristas maravilhosos que viraram amigos, outros nem tanto - já contei num post. Levo sempre meu lanchinho de casa porque fico receosa de comer fora, preciso cuidar da alimentação. Uso máscara o tempo todo nas consultas e nos lugares fechados, e às vezes recebo olhares julgando. Mas eu uso porque é minha proteção, é meu compromisso com minha saúde.
5 meses de vida real. De idas para BH com minha caçula do lado, de alarmes de remédio, de controle de glicemia, de preocupação com cada filha e com meu marido, de cabelo crescendo, de cuidado com o sol, de fazer muito xixi e de gratidão por poder viver tudo isso.
📖 Diário do recomeço
Como me sinto hoje: atenta e profundamente grata por ter minha caçula sempre comigo, de mãos dadas em cada consulta.
Uma pequena vitória do dia: ver que nesses 5 meses aprendi a me comunicar rápido com minha equipe e a celebrar cada pequena coisa, como beber água e suar.
Mensagem para o coração: o pós-transplante não é sobre viver com medo. É sobre viver com atenção, acompanhada de quem ama a gente e celebrando cada xixi, cada fio de cabelo novo, cada dia.

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