Pular para o conteúdo principal

Viagem para consulta e transporte do SUS: o desafio do transplantado

A viagem para BH e a falta de empatia no transporte da saúde: nem todo motorista entende o peso do nosso tratamento

Fazer o trajeto da minha cidade até Belo Horizonte para acompanhamento médico é uma rotina que nós, pacientes crônicos e transplantados, conhecemos bem. É uma viagem de esperança, mas também de cansaço físico. E, nessa jornada, a postura de quem nos transporta faz toda a diferença.

Recentemente completei 4 meses de transplante renal. Quem passou por uma cirurgia desse porte sabe o quanto a região abdominal fica sensível, o quanto cada chacoalhão na estrada pesa e como a postura no banco faz diferença para não pressionar os pontos e o enxerto.

Infelizmente, na minha última viagem, esbarrei na falta de sensibilidade. Fui colocada no banco de trás de uma Spin — um espaço apertado e desconfortável para quem acabou de passar por uma grande cirurgia. Bastaria um pouco de empatia e olhar humano para priorizar quem está fragilizado e em recuperação. O resultado? Cheguei em casa sentindo desconforto e dor na região da cirurgia.

A diferença fica ainda mais gritante porque conheço o outro lado. Existem motoristas do transporte da saúde que são verdadeiros anjos: prestativos, cuidadosos, que aceleram devagar, passam pelas lombadas com carinho e perguntam se estamos bem. Esses profissionais tornam o fardo mais leve. Já os insensíveis nos lembram do quanto o sistema ainda precisa humanizar o atendimento.

O que essa experiência me ensinou:

 1. A dor do corpo e a do estresse: O desconforto físico de uma viagem ruim reflete diretamente no nosso corpo. Quem é transplantado ou faz hemodiálise não está passeando; está lutando pela vida.

 2. Precisamos falar e exigir: O transporte da saúde pública não é um "favor", é um direito do paciente. Priorizar gestantes, idosos e recém-operados nos melhores assentos é o mínimo de humanização esperado.

 3. A importância do acolhimento: Quando o motorista é solícito, a viagem passa mais rápida e a dor diminui.

Escrevo este desabafo para lembrar a você, que também enfrenta a estrada para tratar da saúde: sua dor e seu conforto importam. Não tenha vergonha de avisar sobre a sua cirurgia, de pedir o banco da frente ou de solicitar que o motorista vá com mais cuidado. Nossa saúde já é delicada demais para aceitarmos a insensibilidade dos outros.






Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Receita caseira de sorvete diet

 Olá pessoal! Eu faço contagem de carboidratos mas sempre que posso eu mesma faço minhas receitinhas em casa na versão diet. Procurando aqui na net, achei essa receita de sorvete.  Primeiro fiz na versão original.  Ficou uma delícia, todos aqui em cada aprovaram, e depois fiz na versão diet, substituindo o açúcar por adoçante em pó Tal & Qual. O leite condensado eu mesma fiz na versão diet. Segue a receita do leite condensado diet e depois do sorvete! Dica: a receita é de sorvete de morango, mas já fiz de chocolate. Basta substituir por achocolatado diet (2 colheres de sopa) ou cacau em pó sem açúcar (utilize 1 colher de chá, pois ele é mais forte). Para sabor creme basta adicionar 1 colher de chá de essência de baunilha e por aí vai! Achocolatad diet Gold imagem retirada da net Adoçante que utilizei imagem retirada da net Suco Fit morango zero açúcar foi o que utilizei Receita do leite condensado diet: Ingredientes: 1 xícara de chá(200ml) de l...

Sintomas de hipoglicemia com convulsão: o relato da pior crise que já enfrentei

Quem convive com o diabetes tipo 1 sabe que as quedas de açúcar no sangue fazem parte da rotina. Eu já tive várias crises de hipoglicemia: com desmaio, convulsão, espasmos, gritos, choro e até o corpo paralisar. Mais de uma vez, apaguei na cama de casa e acordei no pronto-socorro, toda furada de agulhas, sem lembrar absolutamente de nada do que tinha acontecido. Mas houve uma vez em especial, há alguns anos, que assustou tanto o meu marido que ele achou que eu iria morrer. Hoje, decidi contar como tudo aconteceu para servir de alerta. A caminhada que "queimou" a glicose Lembro que eu tinha andado muito naquele dia. Estava acontecendo a festa de Santo Antônio no centro da minha cidade e, na época, eu morava em um bairro relativamente próximo. Foram 30 minutos de caminhada para ir e mais 30 para voltar. Essa caminhada "queimou" bastante glicose. Na festa, comemos cachorro-quente e, ao chegar em casa, cansada, cometi dois erros que quase me custaram a vida: não tive o ...

FreeStyle Libre-Post atualizado

Olá pessoal! Tudo bem com vocês?Antes do Libre ser lançado no Brasil, eu fiz um post que vocês podem conferir nesse link:  FreeStyle Libre . Hoje vou falar mais um pouco de como ele funciona, de como e onde comprar. O Libre é um sensor da Abbott . O leitor do Libre mostra os dados da glicose coletados pelo sensor. A leitura é rápida,apenas 1 segundo mostra os dados da glicemia das últimas 8 horas e uma seta de tendência mostrando se a glicose está subindo ou baixando ou mudando lentamente. O leitor do Libre também é um glicosímetro, eles funciona com as fitas FreeStyle Optium. O sensor pode usado na piscina, praia ou rio até 30 minutos,mais é necessário proteger com uma fita tipo a Tegaderm. Ele tem uma memória que guarda os valores até 90 dias. É possível transferir os dados armazenados do leitor para um computador, para poder analisar melhor os dados,mais é precisar baixar um software disponível no site do FreeStyle Libre. A venda dos sensores é feita pelo site da Abbott...