Quem acompanha o blog sabe que o funcionamento do intestino sempre foi um capítulo importante na minha jornada. Na época da diálise peritoneal (DP), um dos grandes segredos para garantir uma boa filtração e o bom posicionamento do cateter era manter o intestino funcionando todos os dias.
Mas quem convive com a gastroparesia sabe que o trânsito intestinal pode ser bem lento, mesmo seguindo a dieta recomendada e usando medicações como a domperidona. E no pós-transplante, descobri um novo desafio: a relação dos imunossupressores com o intestino preso!
Meu relato pessoal: O desafio continuou no hospital
Durante a diálise, eu já usava o PEG (Polietilenoglicol) com a famosa água de ameixa, mas o processo costumava demorar para fazer efeito. O que eu não esperava era que, no pós-transplante, os remédios anti-rejeição trariam esse efeito colateral tão forte.
Ainda no hospital, após o transplante, tentaram ajustar com PEG e envelopes de fibra, mas nada funcionou. O meu intestino só respondeu quando a equipe realizou um clister (lavagem intestinal).
Recentemente, passei por isso de novo. Fiquei dias sem conseguir evacuar e acabei indo ao hospital com cólicas muito fortes e enjoo. Chegando lá, fiz questão de avisar imediatamente que era transplantada recente, pois nossa segurança com medicações precisa ser prioridade máxima!
Para aliviar a dor, recebi dipirona na veia (que é liberada para o meu caso), mas preferi não tomar remédios para enjoo sem a autorização direta da minha equipe de transplante. O médico indicou novamente o clister e, finalmente, tive alívio.
Agora, voltei com a água de ameixa e já agendei a consulta com o nefrologista do transplante para definirmos uma estratégia definitiva e segura para o meu intestino.
Por que o intestino fica preso no pós-transplante?
O ressecamento e a constipação são queixas muito comuns após o transplante renal. Vários fatores combinados explicam por que isso acontece:
1. Imunossupressores e medicações: Remédios essenciais para prevenir a rejeição do órgão (como Tacrolimo, Micofenolato e Prednisona), além de protetores gástricos e suplementos, podem alterar a motilidade do intestino e ressecar as fezes.
2. Gastroparesia: Em pessoas com diabetes de longa data, a neuropatia pode desacelerar o esvaziamento do estômago e os movimentos do intestino.
3. Mudança na rotina e repouso: Os primeiros meses exigem mais repouso e adaptação, o que diminui a movimentação física natural do corpo.
4. Restrição ou redirecionamento de líquidos: A ingestão de água ainda precisa ser monitorada e ajustada conforme a orientação médica.
⚠️ Cuidados de ouro para o transplantado com constipação
Se você é transplantado e está enfrentando episódios de intestino preso, estes cuidados são fundamentais para a sua segurança:
Nunca tome laxantes por conta própria: Certos laxantes podem causar diarreia grave, desidratação ou alterar a absorção e os níveis dos imunossupressores no sangue.
Atenção aos remédios no pronto-socorro: Em emergências, informe sempre que é transplantado renal recente. Medicações comuns para enjoo ou dor podem interagir com seus remédios ou impactar a função renal.
Comunique sua equipe de transplante: Opções como o PEG, envelopes de fibras, água de ameixa ou lavagens (clister) só devem ser mantidos ou realizados com respaldo do seu nefrologista.
Sinais de alerta: Cólicas intensas, vômitos, distensão abdominal e dias sem evacuar exigem avaliação médica rápida.
Diário do recomeço
O aprendizado: Cuidar de um novo rim é um aprendizado diário. Entender os efeitos colaterais dos remédios e ter paciência para ajustar as rotinas faz parte da adaptação.
A vitória: Defender a minha segurança alimentar e medicamentosa no pronto-socorro, priorizando a orientação da minha equipe e garantindo o alívio com segurança!
Você também sentiu alterações no intestino após o transplante ou durante a diálise? Como é a sua rotina de cuidados por aí? Me conta nos comentários!

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