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Recomeços, transplante e a magia do feito à mão

Em maio deste ano, tomei a decisão de retomar este cantinho. O blog estava abandonado desde 2018 — uma época em que eu já vinha escrevendo bem pouquinho. O meu último post antigo foi sobre a descoberta do diabetes da minha filha, que na época tinha 11 anos. Originalmente, a essência do blog sempre foi falar sobre maternidade e diabetes, numa época em que não era tão simples para mulheres diabéticas realizarem o sonho de ter filhos.

Quando decidi voltar, quis trazer a minha realidade atual: ser mãe, diabética e costureira. Mas a vida adora nos surpreender...

E aconteceu o transplante! 

Eu cheguei a procurar um curso de corte e costura na minha cidade e até achei! Mas nem deu tempo de começar: o meu transplante renal chegou!

Antes do transplante, eu tinha decidido que não falaria sobre a diálise peritoneal por aqui. Estava pesquisando sobre os direitos dos doentes renais em diálise para trabalhar, montei meu currículo e a ideia era trabalhar na empresa do meu marido para depois tentar algum benefício do governo. Nesse meio tempo, comecei a organizar o blog, tirando aquela cor azul antiga dos posts que me incomodava.

Aí veio a ligação do transplante... e mudou tudo para melhor!

O curso de corte e costura virou um sonho adiado (por enquanto) e deixei os planos de trabalho de lado para focar na minha saúde. Afinal, o transplante é um tratamento maravilhoso, mas exige uma rotina cheia de cuidados, restrições e atenções diárias.

Fica a dúvida para quem me lê: será que nós, transplantadas renais, temos algum direito garantido por lei, considerando que o transplante é um tratamento contínuo e cheio de limitações?

Arte, Criatividade e o  Cantinho da Mamãe

Mesmo com os cuidados, eu não consigo ficar parada! Amo inventar moda e me virar com o que sei fazer. Relembrando tudo o que já aprontei no artesanato, vi que tenho uma bagagem gostosa:

 Na costura e tecidos: me viro na costura criativa com a minha máquina doméstica (apanho um pouco nas curvas, admito!), faço patch appliqué que fica um amor e trabalhos em feltro.

 Nas agulhas: faço tapetinhos de crochê (tenho até dó de usar!), bicos em pano de prato e estou com o projeto de fazer sousplats para usar no natal. Sei o básico do tricô e quero muito aprender a fazer sapatinhos de bebê! Também faço ponto cruz, estou aprendendo bordado livre e quero testar vagonite para ver se vale a pena.

 Projetos para a casa e vendas: já fiz e vendi muito chinelo decorado com pérolas e chinelos em macramê, pulseirinhas de miçanga paras minhas filhas quando crianças, pintei um criado-mudo de amarelo, fiz quadros para a parede e até uma luminária de cano PVC incrível inspirada no YouTube!

Unindo tudo isso, criei o nome para o meu ateliê: Cantinho da Mamãe! O foco inicial será fazer coisinhas delicadas para bebês e recém-nascidos.

Cuidando de mim e olhando para a frente 

Durante a fase da diálise e a época da pandemia (por conta das máscaras e do desânimo geral), confesso que tinha deixado o autocuidado de lado. Mas resolvi me reconectar comigo mesma.

Sempre gostei de maquiagem e este ano descobri várias técnicas novas! Teve uma época em que até aprendi a fazer minhas próprias unhas e pintava super bem — hoje a catarata no olho esquerdo atrapalha um pouco na precisão, mas a gente vai se adaptando como dá.

O importante é que estou de volta, com o coração grato, cheia de projetos e com muita vontade de criar!

E você que me lê? Já passou por um recomeço assim? Tem dicas de artesanato para bebês ou informações sobre os direitos pós-transplante? Deixe seu comentário aqui embaixo, vou amar conversar com você! 

Diário do recomeço

 Como me sinto hoje: grata e cheia de vida, com a cabeça fervilhando de ideias para o ateliê e com o coração em paz por ter superado a fase difícil da diálise.
 O aprendizado da vez: que os planos não foram cancelados, apenas adaptados. O transplante me deu o presente do tempo para criar com calma e cuidar de mim.
 Projetos do momento: tirar do papel os sousplats em crochê, treinar o tricô para criar sapatinhos de bebê e organizar as primeiras pecinhas do Cantinho da Mamãe.
 Um objetivo pessoal: continuar descobrindo novas formas de autocuidado, testando técnicas de maquiagem e respeitando o tempo de adaptação dos meus olhos e do meu corpo.





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