Quem acompanha a minha rotina de transplantada sabe que a burocracia na saúde é quase um segundo tratamento. Depois da consulta com o nefrologista, onde celebramos a queda do CMV, veio a missão: acionar o plano de saúde para a continuidade do home care.
Confesso que dá um frio na barriga. Depois de toda a saga que vivi com a logística da primeira vez, a gente sempre fica com medo de alguma falha atrasar o cronograma. Mas, felizmente, a correria de ligações e mensagens valeu a pena. Na última sexta-feira, tudo foi liberado e reiniciamos oficialmente o ciclo.
Serão mais 14 dias recebendo o ganciclovir diretamente na veia, aqui no conforto do meu lar. Ter essa estrutura em casa continua sendo uma bênção indescritível, me poupando do desgaste de um ambiente hospitalar e permitindo que eu me recupere perto das minhas coisas e da minha família.
Agora, o foco é total na disciplina. Cada dia de aplicação é um passo a menos rumo à eliminação completa desse vírus e um passo a mais na proteção do meu rim novo. A rotina exige paciência com os horários e com os cuidados necessários, mas ver os resultados positivos aparecendo nos exames me dá todo o gás que preciso para encarar essas duas semanas com a cabeça erguida.
A batalha contra o CMV continua, mas a estrutura está montada, a equipe está a postos e a minha determinação segue firme. Vamos para mais essa rodada.
Diário de recuperação
Como me sinto hoje: confiante e aliviada por ver que a logística funcionou e que o tratamento começou na data certa, sem atrasos.
O aprendizado da vez: que correr atrás, ligar e cobrar dá resultado. Na vida de transplantado, a gente precisa aprender a gerenciar o tratamento com pulso firme.
Uma vitória: ter passado a primeira sexta-feira e o fim de semana da nova rodada medicada, protegida e no conforto da minha casa.

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