Olá, pessoal!
No meu post anterior, contei como foi descobrir o problema renal, o medo da hemodiálise e a alívio ao encontrar a diálise peritoneal (DP). Hoje, quero detalhar para vocês como essa rotina funcionava no meu dia a dia, desde as 10 horas conectada à máquina até os cuidados com a alimentação e a higiene!
A minha rotina de diálise
A diálise peritoneal utiliza o peritônio (uma membrana natural do próprio corpo que envolve os órgãos abdominais) para filtrar as toxinas e tirar o excesso de líquido do sangue.
A prescrição: a minha rotina era ficar ligada na cicladora por 10 horas seguidas, geralmente à noite.
Os ciclos: eram 5 ciclos de cerca de 2 horas cada, utilizando duas bolsas de diálise (uma de 1,5 e outra de 2,5) que a máquina aquecia e gerenciava enquanto eu descansava.
Restrição hídrica, inchaço e o desafio da sede
No começo do tratamento, como eu ainda fazia xixi, a restrição de água não era tão rígida. Mas, quando a produção de urina quase parou, a restrição virou lei.
Sem o rim para eliminar a água, eu inchava bastante nas pernas e no rosto — eu até brincava que estava com "rosto de dialítica"! A pele também ficava super pálida (por conta da anemia severa) e ressecada.
A sede era um desafio diário. As orientações dos médicos para tentar aliviar eram:
Chupar pedrinhas de gelo;
Bochechar água bem gelada;
Tomar apenas pequenos goles de água bem gelada.
No inverno, o problema de usar esses truques era o frio de ter que colocar coisa gelada na boca. Mas no verão o desafio era ainda maior, porque o calor dava uma sede inexplicável e a vontade de beber água era enorme, mas eu simplesmente não podia exagerar!
(Nem preciso dizer a alegria inenarrável que é poder tomar água à vontade hoje no pós-transplante!)
Alimentação e medicamentos
A diálise limpa o sangue, mas também acaba tirando nutrientes bons, como as proteínas. Por isso, eu precisava comer muita proteína animal, carnes magras e bastante ovo. Quando a alimentação não dava conta de repor tudo, vinha a suplementação.
Também precisávamos tomar muito cuidado com o fósforo e o potássio nos alimentos. Como apoio, eu tomava:
Carbonato de cálcio: funcionava como um quelante, ajudando o corpo a não absorver o excesso de fósforo dos alimentos;
Alfaepoetina: o que é e para que serve a alfaepoetina na diálise?
Em poucas palavras: a alfoepoetina é o medicamento que combate a anemia severa em quem faz diálise.
Por que precisamos dela? os rins saudáveis produzem um hormônio que avisa o corpo para fabricar novas células de sangue (as hemácias). Quando o rim para de funcionar, esse sinal deixa de existir, provocando uma queda drástica no sangue e gerando cansaço extremo e palidez.
O que ela faz? A alfaepoetina funciona como uma "cópia" desse hormônio. Ela entra em ação dando o recado para a medula óssea voltar a produzir sangue, trazendo mais oxigênio para o corpo, disposição no dia a dia e reduzindo a necessidade de transfusões!
E vou confessar: a orientação era ter uma alimentação super saudável e cheia de regrinhas... Eu não seguia 100% à risca, às vezes dava uma fugidinha da dieta (quem nunca, né?), mas nada que me prejudicasse!
Higiene rígida e o medo da peritonite
Para fazer a diálise peritoneal em casa, precisei passar por um treinamento completo na clínica. A higiene era prioridade máxima para evitar a peritonite (uma infecção muito grave na cavidade abdominal).
Era um ritual diário: lavagem cuidadosa das mãos, álcool 70% em tudo, máscara na hora de conectar as bolsas e um cuidado enorme com o cateter.
Um passo necessário na caminhada
Olhando para trás, vejo o quanto a diálise peritoneal exigiu disciplina e paciência. Não era fácil lidar com as restrições e a rotina diária de cuidados, mas foi exatamente esse tratamento que me manteve forte e preparada para o momento em que meu novo rim novo chegou.

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