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Ela adoeceu e ele foi embora: a estatística do abandono que ninguém te conta


Quando a vida pede cuidado: o peso da doença nos relacionamentos e a força de ser acolhida

Falar sobre o casamento e o amor em meio a uma doença crônica ou grave exige coragem. Quando a gente assume compromissos, a promessa clássica é "na alegria e na tristeza, na saúde e na doença". Mas a realidade nua e crua dos hospitais às vezes revela um cenário doloroso: estatísticas científicas mostram que mulheres adoecidas enfrentam índices alarmantes de abandono conjugal.

 O que diz a ciência e os dados médicos?

Pesquisas na área de sociologia da saúde e oncologia revelam estatísticas que chocam, mas que precisam ser ditas para que possamos apoiar umas às outras:
● Doenças graves em geral: um estudo publicado no Journal of Health and Social Behavior apontou que casais em que a mulher é diagnosticada com uma doença grave apresentam um risco significativamente maior de separação em comparação aos casais em que o homem adoece.
● O Impacto no câncer: dados divulgados pela Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) apontam que cerca de 70% das mulheres diagnosticadas com câncer e em tratamento prolongado sofrem com a separação ou o abandono por parte do parceiro.
● A sobrecarga rmocional e física: muitas mulheres enfrentam tratamentos longos, dores e a exaustão da diálise ou de cirurgias sem o suporte emocional básico de quem jurou estar ao lado.

Esses números mostram que, enquanto a sociedade muitas vezes exige que a mulher cuide de todos, quando é ela quem precisa de amparo, o peso da solidão pode se somar ao peso da doença.

 A minha História: o amor real, que cansa mas não desiste

Quando olho para a minha trajetória, sei que o meu caminho não foi fácil. Enfrentei três cesáreas no passado, a cirurgia da paratireoide e momentos assustadores em que desmaiava por hipoglicemia, com meu marido me levando correndo para o pronto-socorro e ficando firme ao meu lado.
Lembro de fases muito duras, como quando fiquei totalmente de cama por causa da gastroparesia (antes de termos o diagnóstico fechado), ou quando enfrentei febre alta e dor de dente intensa. 
Depois veio a cirurgia para colocação do cateter da diálise peritoneal e o início de todo aquele processo.
Ano passado foi desafiador! Passava mal, desmaiava, caia, fui internada 3 vezes na UTI, internações longas, marido e filhas sempre comigo, nunca me abandonaram.
Nessas horas, a gente descobre quem é quem. Claro que o meu marido também era humano: às vezes ficava cansado, reclamava da rotina pesada de hospital, e isso é totalmente compreensível! A exaustão bate para quem cuida também. Mas o que importava era a atitude: ele deixava de dormir para estar comigo, ia ao hospital carregar minhas bolsas de diálise e insumos, me dava banho e montava todo o equipamento da diálise peritoneal para eu apenas me conectar.
E as minhas filhas? Mesmo jovens, queriam ficar no hospital comigo, iam me visitar nas internações na UTI e ficavam no quarto ao meu lado. Meu marido deixava de descansar para garantir que eu nunca estivesse sozinha.

O momento mais esperado: o transplante de rim!

Toda essa jornada de apoio culminou em um marco inesquecível: no dia 16 de maio de 2026, finalmente recebi o meu transplante renal!
Sabíamos que a recuperação seria bem mais lenta e exigiria paciência, mas a minha rede de apoio continuou firme e inabalável. Meu marido esteve o tempo todo ao meu lado, e minhas filhas seguem extremamente cuidadosas com cada detalhe, zelando por mim com um carinho imenso!
Hoje, reconstruindo a rotina pós-transplante, tenho a alegria de viver cercada por essa verdadeira rede de proteção. Em casa, minhas três filhas e meu marido transformaram nosso lar em um porto seguro:
Meu marido acorda cedo antes de trabalhar, já deixa minha água separada e o café prontinho para quando acordo. Se peço uma sopa nos dias em que o estômago está sensível, ele faz com todo o amor.
E as minhas filhas? Cuidam de mim de perto e ainda preparam um omelete que é um verdadeiro abraço em forma de comida!
Eu sei que a minha realidade destoa das estatísticas tristes que vemos por aí nos hospitais. Enquanto muitas mulheres infelizmente conhecem o gosto amargo do abandono, eu conheço a beleza de um amor real, que cansa, mas que escolhe ficar, cuidar, segurar a mão e levantar junto todos os dias.

Se você está passando por um tratamento difícil e sente que o mundo está pesado, saiba que o amor verdadeiro não é perfeito, mas é leal e permanece.

📖  Diário do recomeço
Como estou me sentindo hoje: com o coração transbordando de gratidão ao lembrar de cada batalha que venci e continuo vencendo ao lado da minha família.
Uma pequena vitória do dia: celebrar a minha recuperação do transplante de maio de 2026 e ver o cuidado diário dos meus anjos protetores.
Mensagem para o coração: que possamos valorizar quem caminha de mãos dadas conosco nas tempestades e nas vitórias da vida.


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