A jornada do transplante é cheia de "primeiras vezes". A primeira urina, o primeiro exame com taxas normais, a primeira vez que nos sentimos com energia de verdade. E, às vezes, a vida nos surpreende com uma "primeira vez" que a gente nem imaginava que viria tão cedo.
Para quem me acompanha, sabe que minha trajetória na diálise foi longa e desafiadora. E, como muitas mulheres nessa situação, eu também parei de menstruar. Minha ex-nefrologista da diálise sempre me tranquilizou, dizendo que era normal: o corpo, sob o estresse da insuficiência renal e do tratamento exaustivo, poupava energia onde podia, e o ciclo reprodutivo acabava ficando em segundo plano. Eu estava há quase dois anos sem menstruar.
Eu sabia, é claro, que o transplante poderia reverter essa situação, que com um novo rim filtrando o sangue, os hormônios voltariam a se equilibrar. Mas que eu não imaginava é que seria tão rápido!
Eis que, nessa madrugada, uma surpresa me pegou: a menstruação desceu.
Confesso que, de início, foi um susto misturado com uma onda de alívio e uma emoção indescritível. Não é "apenas" a menstruação. Para mim, hoje, é uma prova concreta e visceral de que meu corpo está renascendo. É o sinal de que o transplante está devolvendo a harmonia do meu sistema hormonal, restaurando funções que estavam adormecidas. É uma prova de que a vida está fluindo de volta, com força total, por cada célula minha.
Para todas as mulheres que estão na diálise e lidam com a ausência do ciclo, deixo aqui o meu relato de esperança: o transplante cura muito mais do que imaginamos. Meu corpo está me dizendo, da forma mais íntima possível: "Estamos vivos, estamos bem, estamos voltando ao nosso normal".
Diário de recuperação
Como me sinto hoje: uma sensação de completude e de ver o corpo funcionando como um todo novamente.
A surpresa da semana: o retorno da menstruação após quase dois anos de pausa na diálise. Uma surpresa rápida e muito bem-vinda!
A grande lição: o corpo humano é resiliente e, quando recebe o cuidado certo (o transplante!), ele tem uma capacidade incrível de autorregulação e cura.
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