Pular para o conteúdo principal

Home care no pós-transplante: o acolhimento de um anjo e a saga da burocracia

Fazer o tratamento do citomegalovírus (CMV) em casa, no meu cantinho, foi mil vezes melhor do que ficar trancada em um quarto de hospital. Disso não tenho dúvidas. No entanto, a minha experiência com a empresa de home care me mostrou uma realidade dura: enquanto na ponta temos profissionais que são verdadeiros anjos, na gerência lidamos com uma frieza que faz parecer que estão nos prestando um favor.

Moro em uma cidade vizinha à sede da Unimed que me atende. Ainda no hospital, no dia da minha alta, a empresa organizou o envio dos medicamentos e insumos para as aplicações de Ganciclovir na minha casa. Parecia tudo perfeito, mas as falhas de logística começaram logo aí — erros que poderiam ter colocado todo o meu tratamento em risco.

O protocolo era de 14 dias de medicação. Ao conferir as caixas, percebemos que veio remédio apenas para 13 dias. Faltava exatamente uma dose. Ao relatar o problema, a resposta da supervisora do home care foi inacreditável: ela queria que eu enviasse alguém até a cidade vizinha para buscar o remédio que faltava. Eu, recém-transplantada, sozinha em casa, tendo que resolver um erro de logística deles! Bati o pé, não mandei ninguém e, diante da minha firmeza, eles foram obrigados a trazer o medicamento até aqui.

Mas o pior ainda estava por vir. Quando a enfermeira chegou para a última aplicação, notou que a empresa não havia enviado o soro fisiológico próprio e necessário para diluir a medicação. Sem o soro, sem aplicação.

Ao telefone, a reação da supervisora foi um soco no estômago. Ela disse que eu mesma "poderia mandar alguém comprar na farmácia, porque aquele soro não custava nem 3 reais". O problema nunca foi o valor, mas sim o absurdo de transferir para o paciente a responsabilidade de um insumo básico que é obrigação deles fornecer. Quem salvou o meu dia foi a enfermeira que, com uma humanidade gigante, foi buscar o soro no hospital onde trabalha para eu não perder a dose. Ela foi o anjo que a burocracia tentou atrapalhar.

Eu não podia deixar esse desrespeito passar em branco. Decidi registrar uma reclamação formal na ouvidoria do plano, e aí começou outra saga. Fiquei mais de 30 minutos na linha esperando para ser atendida — uma fila interminável. Quando finalmente consegui falar, me passaram um número de WhatsApp. Ao chamar no WhatsApp, a orientação foi enviar um e-mail detalhando tudo. Uma burocracia sem fim!

Mas eu fui até o fim. Enviei o e-mail relatando cada falha e agora estou aguardando a resposta deles. O home care é um direito nosso, pago e muito bem contratado, não um favor. Compartilho isso para que outros pacientes fiquem atentos: exijam seus direitos, confiram cada insumo e não aceitem que a comodidade de tratar-se em casa vire desculpa para a negligência.

 Diário de recuperação

 Como me sinto hoje: vitoriosa por ter vencido o CMV no conforto do lar, mas com aquela sensação de indignação pela energia que gastei cobrando o óbvio do plano de saúde.

 O aprendizado da vez: o paciente (ou a família) precisa fiscalizar tudo. E mais: diante de um abuso, não se cale. Use os canais de denúncia, mesmo que eles tentem te cansar com burocracia.

 Uma vitória: ter a certeza de que meu tratamento foi concluído com sucesso e que meu rim novo segue protegido, graças à minha firmeza e ao carinho da enfermeira que me atendeu.





Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Receita caseira de sorvete diet

 Olá pessoal! Eu faço contagem de carboidratos mas sempre que posso eu mesma faço minhas receitinhas em casa na versão diet. Procurando aqui na net, achei essa receita de sorvete.  Primeiro fiz na versão original.  Ficou uma delícia, todos aqui em cada aprovaram, e depois fiz na versão diet, substituindo o açúcar por adoçante em pó Tal & Qual. O leite condensado eu mesma fiz na versão diet. Segue a receita do leite condensado diet e depois do sorvete! Dica: a receita é de sorvete de morango, mas já fiz de chocolate. Basta substituir por achocolatado diet (2 colheres de sopa) ou cacau em pó sem açúcar (utilize 1 colher de chá, pois ele é mais forte). Para sabor creme basta adicionar 1 colher de chá de essência de baunilha e por aí vai! Achocolatad diet Gold imagem retirada da net Adoçante que utilizei imagem retirada da net Suco Fit morango zero açúcar foi o que utilizei Receita do leite condensado diet: Ingredientes: 1 xícara de chá(200ml) de l...

Sintomas de hipoglicemia com convulsão: o relato da pior crise que já enfrentei

Quem convive com o diabetes tipo 1 sabe que as quedas de açúcar no sangue fazem parte da rotina. Eu já tive várias crises de hipoglicemia: com desmaio, convulsão, espasmos, gritos, choro e até o corpo paralisar. Mais de uma vez, apaguei na cama de casa e acordei no pronto-socorro, toda furada de agulhas, sem lembrar absolutamente de nada do que tinha acontecido. Mas houve uma vez em especial, há alguns anos, que assustou tanto o meu marido que ele achou que eu iria morrer. Hoje, decidi contar como tudo aconteceu para servir de alerta. A caminhada que "queimou" a glicose Lembro que eu tinha andado muito naquele dia. Estava acontecendo a festa de Santo Antônio no centro da minha cidade e, na época, eu morava em um bairro relativamente próximo. Foram 30 minutos de caminhada para ir e mais 30 para voltar. Essa caminhada "queimou" bastante glicose. Na festa, comemos cachorro-quente e, ao chegar em casa, cansada, cometi dois erros que quase me custaram a vida: não tive o ...

FreeStyle Libre-Post atualizado

Olá pessoal! Tudo bem com vocês?Antes do Libre ser lançado no Brasil, eu fiz um post que vocês podem conferir nesse link:  FreeStyle Libre . Hoje vou falar mais um pouco de como ele funciona, de como e onde comprar. O Libre é um sensor da Abbott . O leitor do Libre mostra os dados da glicose coletados pelo sensor. A leitura é rápida,apenas 1 segundo mostra os dados da glicemia das últimas 8 horas e uma seta de tendência mostrando se a glicose está subindo ou baixando ou mudando lentamente. O leitor do Libre também é um glicosímetro, eles funciona com as fitas FreeStyle Optium. O sensor pode usado na piscina, praia ou rio até 30 minutos,mais é necessário proteger com uma fita tipo a Tegaderm. Ele tem uma memória que guarda os valores até 90 dias. É possível transferir os dados armazenados do leitor para um computador, para poder analisar melhor os dados,mais é precisar baixar um software disponível no site do FreeStyle Libre. A venda dos sensores é feita pelo site da Abbott...