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Gastroparesia diabética: o susto do "bezoar" à fila do transplante

Quem convive com o diabetes de longa data sabe que ele pode trazer companheiros de jornada que a gente nem imagina. No ano passado, descobri na pele a gastroparesia diabética, mas o caminho até o diagnóstico foi uma verdadeira investigação.

Tudo começou quando fiquei muito doente. Eu sentia muito enjoo, vômitos constantes e chegou a um ponto em que eu não conseguia comer mais nada. Na época, eu fazia diálise e a primeira preocupação da clínica foi descartar uma peritonite. Com a peritonite afastada e os exames renais na normalidade, o foco virou a minha anemia, que havia piorado muito pela falta de alimentação; regularam a minha alfapoetina e iniciamos suplementos.

Como os enjoos não passavam, eu achava que era tudo por causa do problema renal. Mas minha intuição dizia que precisava ir além. Resolvi, por conta própria, agendar uma consulta com uma médica gastroenterologista na minha cidade. Ela foi extremamente minuciosa, pediu vários exames e uma endoscopia. Foi aí que veio a surpresa: eu estava com um bezoar, uma massa compacta de alimentos que se formou no meu estômago justamente porque ele estava "preguiçoso" devido à gastroparesia (o diabetes afeta os nervos que controlam a digestão).

O tratamento proposto pela gastro foi curioso: como eu ainda urinava, ela me mandou tomar suco de abacaxi e uma lata daquela Coca-Cola pequena (a acidez ajuda a dissolver a massa). Na clínica de diálise, ficaram preocupados e me proibiram de tomar a coca, mas, sabendo que a gastro conhecia todo o meu histórico renal e estava segura, decidi confiar nela. Deu super certo! Na endoscopia de retorno, o estômago estava limpinho.

Foi a partir daí que o tratamento contínuo para a gastroparesia começou de verdade. A gastro prescreveu a domperidona, um medicamento que tomo três vezes ao dia, sempre antes do café, do almoço e do jantar. Ela funciona estimulando os movimentos do estômago, ajudando ele a trabalhar e a esvaziar no tempo certo. Além do remédio, passei a tomar muito cuidado com os alimentos, evitando o que é muito pesado ou gorduroso para não sobrecarregar a digestão.

Mas a investigação não parou ali. Nessa mesma endoscopia do bezoar, a doutora descobriu 5 pólipos pequenos. Em um novo procedimento, ela retirou os dois maiores que eram possíveis e deixou os outros três, que eram minúsculos, para acompanhamento. O resultado da biópsia trouxe alívio: eram benignos.

Mesmo sendo benignos, quando relatei o caso à equipe do transplante, meu nome precisou ser suspenso temporariamente da lista por segurança. Passar por essa suspensão dá um frio na barriga, mas fui encaminhada a um oncologista que me avaliou detalhadamente e deu o parecer definitivo: eu podia voltar para a fila com segurança, precisando apenas refazer o acompanhamento com ele e com a gastro de 3 a 6 meses após o transplante.

Graças a Deus, retornei à lista, o meu chamado veio e hoje sou transplantada! Agora, estou esperando passar essa fase inicial e mais delicada do pós-cirúrgico para retornar ao oncologista e à gastro para os meus exames de rotina.

A gastroparesia me ensinou a ter paciência com o ritmo do meu estômago (o que causa o refluxo, o estufamento e aquele atraso clássico onde a glicemia só sobe horas depois de comer). Mas, acima de tudo, com a combinação da domperidona, dos cuidados com a alimentação e da minha persistência, aprendi a ser a principal defensora da minha saúde.

 Diário de recuperação

 Como me sinto hoje: aliviada por olhar para trás e ver que cada obstáculo, inclusive a suspensão temporária da fila, foi superado com responsabilidade.

 O aprendizado da vez: entender a importância da medicação correta (como a domperidona antes das refeições) e da disciplina com os alimentos para dar conforto ao estômago.

 Uma vitória: estar com o rim novo funcionando e planejando os acompanhamentos preventivos com total segurança.





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