Hoje, 16 de julho, celebro um marco que, para mim, tem sabor de vitória olímpica: completo exatos dois meses do meu transplante renal. Se alguém me dissesse, há 60 dias, tudo o que eu viveria nesse curto espaço de tempo, talvez eu não acreditasse na minha própria força. Mas o fato é que sobrevivi, aprendi e mudei profundamente.
Olhar para esses dois meses é lembrar de uma verdadeira montanha-russa. Teve o dia do transplante, a ansiedade da primeira internação, a alegria da primeira alta e o início dos cuidados rigorosos em casa. De repente, minha rotina mudou: o uso constante de máscara virou regra e a faixa cirúrgica se tornou minha fiel companheira para ajudar na recuperação física da cirurgia.
Nesse processo, descobri que o transplante não acontece só no paciente; ele acontece na família toda. Meu marido e minhas filhas se transformaram em verdadeiros anjos da guarda, me ajudando em cada detalhe, cuidando de mim com um amor que não cabe em palavras.
Tivemos que aprender a logística das consultas em Belo Horizonte. Ir para BH trouxe novos desafios e medos, como o receio de comer na rua por causa do risco de contaminação alimentar. Para me proteger, adotei a máscara PFF2 nas viagens, e é ela que me dá a segurança necessária para enfrentar o mundo exterior enquanto minha imunidade está baixa.
E quando parecia que tínhamos engatado uma rotina tranquila, veio mais uma curva: a ativação do citomegalovírus (CMV) e uma nova internação. O chão balança nessas horas, não vou mentir. Mas a resposta veio na mesma velocidade a vitória de conseguir a alta para o home care, as aplicações de medicação feitas por enfermeiras queridas no conforto do meu lar e, acima de tudo, a melhora contínua nos meus exames de sangue.
Para coroar esses dois meses, meu corpo me deu o sinal mais visceral de que está voltando à vida: a menstruação desceu após quase dois anos de pausa na diálise.
Foram dezenas de furos nos dedos, agulhadas, remédios com horários rígidos e uma espera paciente pela nova bomba de insulina. Foram vários desafios, sim. Mas cada um deles foi seguido por uma vitória ainda maior. Hoje, comemorando esses dois meses em casa, com o coração transbordando de gratidão, eu só consigo dizer uma coisa: valeu a pena. Cada segundo. Estou viva, estou sendo cuidada e o meu rim novo está vencendo cada batalha junto comigo!
Diário de recuperação: Edição especial de 2 meses
Como me sinto hoje: genuinamente vitoriosa, madura e extremamente grata pela vida e pela minha família.
O maior aprendizado: descobrir que o pós-transplante exige paciência; os obstáculos (como o CMV) aparecem, mas nós temos ferramentas e apoio para vencê-los.
A grande vitória desses 60 dias: o funcionamento perfeito do rim novo, o amor incondicional da minha rede de apoio e a certeza de que escolhi o caminho certo ao defender a minha saúde.

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