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Um novo capítulo: minha vida pós-transplante, entre o cuidado e a gratidão

Hoje, o assunto não é sobre costura, nem sobre receitas (embora elas continuem sendo parte importante da minha rotina). Hoje, quero falar sobre a mudança mais significativa da minha vida: o meu transplante.

Muitas pessoas me perguntam como estou me sentindo. E a resposta é uma mistura de sentimentos difícil de explicar: sinto uma gratidão imensa por ter ganhado essa nova chance, mas também uma necessidade de disciplina que eu nunca tive antes.

Minha vida, que antes era focada em planos para o meu ateliê, agora se tornou uma agenda de cuidados. E, honestamente? Eu estou aprendendo a valorizar cada linha dessa agenda.

 Cada remédio, cada consulta e cada ida à unidade de transplante  são pequenos passos para garantir que esse rim — que é o meu maior presente — esteja bem cuidado.

 Aprender a usar a faixa cirúrgica para proteger meu corpo (e evitar a temida hérnia) e encontrar formas de me exercitar com caminhadas em locais planos é o meu "trabalho" atual. Não é fácil, ainda mais morando em uma cidade com tantos morros, mas é o que precisa ser feito.

 Olhar para a cicatriz ou sentir o cansaço do pós-operatório me lembra de que a vida pediu uma pausa, mas me deu, em troca, o futuro.

Eu sei que a recuperação é um processo lento. Às vezes a vontade de estar na máquina de costura é grande, mas entendo que, para que o Cantinho da Mamãe seja um lugar de alegria lá na frente, eu preciso ser a prioridade aqui e agora.

●Diário da Recuperação

Como me sinto hoje:  Sinto um alívio misturado com um cansaço físico. A primeira consulta após a alta é sempre um marco, um misto de "estou viva e me cuidando" com o desafio de enfrentar o mundo exterior novamente.

 O desafio da semana:  O maior desafio foi a própria ida ao hospital. Estar em um laboratório cheio e notar que, mesmo dentro de um ambiente hospitalar, muitos profissionais não usam máscara, foi um susto. Como transplantada, minha imunidade é minha prioridade, e estar com a minha PFF2 me deu a segurança que o ambiente não ofereceu. Além disso, o cuidado com a alimentação se tornou ainda mais rígido: o potássio em 5,8 foi um sinal de alerta e agora vou seguir à risca a técnica de aferventar tudo, inclusive o feijão, para proteger meu novo rim.

Uma vitória: Encontrar o nosso "porto seguro" no hospital. Saber que existe uma sala reservada para nós, transplantados, foi um alívio enorme. Conseguir lanchar ali, com calma, protegida e ao lado da minha filha, foi o ponto de paz no meio de um dia tão intenso. Também já dei o primeiro passo para o acompanhamento nutricional especializado na unidade. Um dia de cada vez, com cuidado e foco.

#Transplante Renal, #Vida Nova, #Diário da Recuperação, #Superação





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