Se tem uma coisa que a vida me ensinou desde que recebi meu diagnóstico de diabetes em 1991, é que o amor de mãe é testado no limite da nossa força e com o coração na boca. Quem me acompanha por aqui conhece as minhas batalhas de saúde e a vitória recente do meu pós-transplante, mas hoje eu não vim falar de mim. Vim falar da minha maior riqueza e da minha sorte diária: as minhas três filhas.
Olhar para elas hoje — três jovens lindas, fortes e companheiras — me faz lembrar de onde tudo começou. E a nossa jornada até aqui não foi nada fácil.
A mais velha: O recomeço e a força que lidera
A minha filha mais velha, hoje com 20 anos, foi a bebê que me trouxe mais medo. Antes dela, eu havia perdido o meu primeiro filho em uma gestação de 8 meses, uma dor que nenhuma mãe esquece. Quando engravidei dela, o medo me acompanhava. Ela acabou nascendo prematura, de 7 meses e meio.
Ela chegou ao mundo cansada, com os pulmõezinhos ainda sem estarem totalmente formados. Foram 45 dias de muita angústia na UTI neonatal em Belo Horizonte. Mas ela venceu! Hoje, ela é aquela filha que toma a frente de tudo. Super preocupada comigo, cuida de mim com um carinho imenso, sabe cozinhar e é extremamente companheira. Uma curiosidade engraçada: tem intolerância à lactose, mas é apaixonada por tudo que leva leite, então vive à base da enzima lactase! Atualmente, faz faculdade de Administração, mas o grande sonho do coração dela é cursar Psicologia — e eu sei que ela vai conseguir, porque cuidar dos outros está na alma dela.
A do meio: A bebê gordinha que virou minha companheira de jornada
A minha filha do meio também foi uma bebê muito esperada e muito amada. Ela também nasceu prematura, mas, ao contrário das irmãs, surpreendeu a todos porque nasceu gordinha, grande e forte! Em um primeiro momento, ela não parecia cansada e quase foi direto para o quarto comigo. Mas, ainda na sala de parto, o fôlego dela começou a falhar e ela começou a cansar. Ela precisou ser levada para a UTI neonatal, onde ficou internada por 21 dias até se recuperar completamente.
Hoje, ela divide comigo não apenas a rotina de casa, mas também a jornada com a saúde: ela tem diabetes tipo 1 e usa insulina (como contei o relato dela no post anterior). Ela faz a faculdade de Administração junto com a irmã mais velha, é uma menina extremamente fofinha, muito companheira e está sempre pronta para me ajudar no que for preciso.
A caçula: O susto na estrada e o capricho em pessoa
A minha filha mais nova também quis testar o coração da mamãe. Ela nasceu de quase 8 meses. A bolsa rompeu e foi aquela correria em direção a BH. Fui de ambulância e quase ganhei ela na estrada! Como eu já tinha o histórico das duas mais velhas, achei que com ela seria igual e que ela precisaria de UTI. Mas, para a nossa alegria, ela não precisou; foi direto para o quarto comigo.
No final das contas, minhas três meninas nasceram de parto cesariana — três guerreiras desde o primeiro minuto de vida. Hoje, a caçula está no terceiro ano do ensino médio técnico. Ela é uma menina super caprichosa e tem um talento lindo para o desenho. Aliás, as três desenham maravilhosamente bem, são verdadeiras filhas artistas! Ela ainda está decidindo qual faculdade fazer. Assim como as irmãs, é fofa demais, super companheira, sabe cozinhar e não sai do meu lado.
Ganhei três bebês lindas que se transformaram em meninas incríveis. Quando olho para a minha cozinha e vejo minhas filhas cozinhando juntas, dividindo os estudos, cuidando de mim e me cobrindo de amor nesse pós-transplante, eu só consigo agradecer. O diabetes e os problemas de saúde são pesados, sim, mas o amor que recebo dentro de casa me cura um pouquinho todos os dias.
Eu quis muito tê-las, e hoje elas são o meu maior motivo para continuar lutando.

Comentários
Postar um comentário