Eu consegui. Escrevo este post não mais do leito do hospital, não mais ouvindo o bip dos monitores, mas sim da minha própria cama, na minha casa . Eu recebi alta!
Colocar os pés para fora daquele hospital e respirar o ar da rua sabendo que o meu transplante foi um sucesso é uma sensação que as palavras quase não dão conta de traduzir. É um misto de "venci a primeira batalha" com um respeito gigante pelo recomeço.
Se tem uma coisa que me emocionou profundamente antes mesmo de eu passar pela porta de casa, foi o amor das minhas filhas. Elas estavam em um estado de ansiedade que mal cabia nelas!
Como o paciente transplantado precisa de um ambiente extremamente limpo e protegido por conta da imunidade baixa, elas não pensaram duas vezes: organizaram um verdadeiro mutirão da limpeza. Lavaram, passaram, desinfetaram cada cantinho e deixaram a casa brilhando e cheirando a cuidado.
Entrar em um ambiente preparado com tanto amor por elas me fez chorar. O transplante acontece no meu corpo, mas a cura e o recomeço envolvem toda a família. O abraço delas (com máscara e todo o cuidado do mundo, claro!) foi o melhor remédio que tomei até agora.
Ir para casa é maravilhoso, mas não significa que a equipe médica me deu um "tchau e até logo". O pós-transplante imediato exige uma disciplina de ferro.
A minha rotina agora ganhou um novo formato: vou precisar voltar ao hospital uma vez por semana . Toda semana será dia de colher exames de sangue bem cedinho, passar por consultas com a equipe de nefrologia e ajustar as doses dos imunossupressores. O acompanhamento é colado, rigoroso e essencial para garantir que o meu novo rim continue feliz e trabalhando bem.
Vou de máscara, com meu frasco de álcool em gel no bolso, encarando essas idas semanais não como um peso, mas como o preço justo e feliz a se pagar pela minha liberdade.
Não há mais cateter. Não há mais máquina de diálise no meu horizonte. O que existe agora é uma mãe transplantada, cheia de planos, protegida por filhas incríveis e carregando no peito uma gratidão eterna pela vida e pela família doadora.
Ainda estou me adaptando aos horários dos novos remédios, redescobrindo o meu corpo e descansando bastante. Mas o coração... ah, esse está em festa.
Obrigada por terem segurado a minha mão mentalmente durante todos esses dias de internação. A primeira fase foi vencida. Agora, é hora de viver a vida nova!
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