Pular para o conteúdo principal

Do medo à liberdade: o dia em que me despedi do cateter da diálise

 Esse é um momento maravilhoso e cheio de alívio para registrar no blog! É a transição perfeita entre o "susto" do pós-operatório e a esperança real de voltar para casa.

Escrevo este texto ainda do quarto do hospital, mas com um sorriso que mal cabe no meu rosto e uma sensação de leveza que eu não sentia há muito, muito tempo. Se no último post o cenário era de incertezas e dores do pós-operatório imediato, hoje o clima por aqui é de pura celebração.

Os dias de internação continuam, mas a minha realidade mudou completamente. E eu precisava dividir essas vitórias com vocês.

Uma das maiores ansiedades de quem faz um transplante renal é saber se o "novo morador" vai começar a trabalhar logo ou se vai demorar um pouquinho para acordar. Logo após a cirurgia, eu precisei passar por uma sessão de diálise.  Apenas uma. Foi o empurrãozinho que o meu novo rim precisava.

Depois disso? Ele assumiu o comando de forma espetacular. Ver os exames de sangue melhorando dia após dia, ver as taxas caindo e o corpo respondendo é uma sensação indescritível. É a ciência e a vida acontecendo bem diante dos meus olhos.

Ontem vivi um dos momentos mais marcantes e simbólicos dessa internação:  a retirada do meu cateter da diálise peritoneal .

Quem depende da diálise sabe o peso físico e emocional que esse cateter carrega. Ele é uma linha de vida, claro, e sou muito grata a ele por ter me mantido de pé até aqui. Mas vê-lo ir embora... ah, isso tem um gosto indescritível de liberdade. Olhar para o meu corpo e não ver mais aquele tubo significa que uma fase dolorosa ficou para trás. A diálise não faz mais parte da minha rotina.

Os médicos entram no quarto, olham as planilhas, sorriem e, pela primeira vez, a palavra  "ALTA" começou a rodar as conversas.

Os exames estão ótimos, o rim está super valente e a equipe médica já está ajustando os detalhes e as orientações para me mandar para casa. Saber que falta pouco para dormir na minha cama, no meu canto, com a certeza de que ganhei uma nova chance, faz meu coração transbordar.

Sei que os cuidados em casa serão imensos. Vou me policiar com os horários dos imunossupressores, manter o isolamento necessário nesses primeiros meses, caprichar na hidratação e continuar o acompanhamento rigoroso. O transplante é um tratamento contínuo, e minha condição exige essa atenção constante.

Mas enfrentar tudo isso sem o peso da máquina de diálise, com exames bons e a perspectiva de uma vida cheia de planos? Isso não tem preço.

O pior já passou. A liberdade está logo ali na porta do hospital.

Até o próximo post, direto da minha casa!


Comentários

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

    ResponderExcluir
  2. É, mãe. Outra coisa é que daqui a pouco as caixas de diálise também vão embora, não vai precisar mais ter essa preocupação da entrega e não ter espaço pra colocar, a casa vai ficar mais organizada e limpa. Rumo à vida nova! A gente aqui em casa tá morrendo de saudade.😍

    ResponderExcluir

Postar um comentário